Coluna do Marcus Valle: as obras atrasadas e os ônibus de Bragança

*Por Marcus Valle
1 – Obra atrasada: Arena
Conforme noticiado no Bragança Em Pauta, a cobertura da Arena do Lago do Taboão virou outra longa novela, já que a Prefeitura rescindiu contrato com a empreiteira responsável pelas obras (orçadas em R$ 4.626.763,50).
Desde 2022 anunciam essa obra e essa é a 2ª empreiteira que foi descontratada.
Isso mostra sérios problemas de organização e governabilidade.
2 – Novela do Lago do Orfeu
E por falar em obras atrasadas e que não se tornam reais, lembramos do Lago do Orfeu, onde a Prefeitura optou por um projeto mais caro e invasivo à flora e fauna, o que causou a judicialização da questão.
Nesse projeto (e nos outros) nunca fizeram um estudo do solo do lago, o que só recentemente foi constatado, e obviamente as obras ficaram muito mais caras.
Tentando defender o indefensável, os porta-vozes da administração tentam pôr a culpa no Ministério Público, nos ex-vereadores Marcus Valle e Basilio Zecchin e nos moradores que representavam a “Associação Amigos do Orfeu”.
Enfim, ao invés de admitirem o erro crasso (de não verificarem previamente o solo do interior do lago), agem com negacionismos, tentando transferir a notória incompetência.
3 – Ônibus circulares
Conforme anunciado pela mídia, tarifa de ônibus aumentou para R$ 13,21 em Bragança Paulista (quase 20% de reajuste).
Os usuários continuarão pagando R$ 4,50, e a Prefeitura (ou seja, todos os munícipes) cobrirão o valor restante, 8,71 por passageiro.
Portanto, deve se exigir um serviço de qualidade da empresa, o que não ocorreu nos últimos anos (veículos quebrados ou em más condições, desconforto, atrasos nas linhas etc.).
Os serviços da empresa anterior eram muito melhores, embora tivéssemos problemas pontuais.
4 – Ônibus: todos pagam
Não sabemos ao certo o número de pessoas que usam os ônibus circulares por mês/ano.
Mas só para efeito de cálculo, se tivermos 350 mil passageiros por mês, seriam 4,2 milhões/mês, o que custaria 36,5 milhões de reais ao ano, só de subsídio e 15,75 milhões dos que pagam os R$ 4,50.
Enfim, uma empresa que receberá mais de R$ 52 milhões ao ano, tem que prestar um serviço bom (o que ainda não está acontecendo, ao contrário).
5 – IPTU
Nessa guerra do IPTU, até agora não vimos quanto se arrecadou, e qual foi a inadimplência (muita gente não pagou) dos tributos enviados nos carnês.
Essa informação seria interessante para se observar o quanto se afetou a arrecadação, e, consequentemente, a governabilidade do município em termos financeiros.
Politicamente, foi um desastre. A “guerra política” e a judicialização da questão, prejudicaram outras áreas (saúde, educação, trânsito, cultura e turismo, esportes, meio ambiente etc.), já que só se priorizou essa discussão do IPTU nos 7 primeiros meses do governo municipal.
6 – Golpes: necessário setor especializado
Muitos golpes na internet vitimando pessoas.
- Advogados têm seus nomes usados para enganar clientes;
- Dados bancários são extraídos com falsas comunicações;
- Estelionatos sentimentais
- Extorsões usando pretensas menores de idade que trocam intimidades com vítimas;
- Vendas de produtos baratos e inexistentes;
- Prêmios concedidos pedindo fornecimento de dados de cartões;
- Falsos policiais noticiando crimes e exigindo valores.
São os mais comuns. O município deveria fazer comunicado alertando. Ótimo que a polícia civil crie departamento especializado para atender vítimas, orientar e principalmente localizar e prender os falsários e estelionatários.
7 – Motocicletas: perigo maior
Conforme já noticiamos anteriormente, no estado de São Paulo, as motocicletas e congêneres representam 17,5% da frota de veículos, mas por razões evidentes, representam 45% das vítimas fatais de acidentes de trânsito.
Em Bragança há muitos acidentes com motocicleta, e dos 18 mortos esse ano (há muitos casos de lesões sem óbito), mais da metade envolve motociclistas.
Deve se estudar medidas (preventivas) para se diminuir a questão. Um vereador (Rafael) sugere a criação de faixas só para motos, mas é necessário se estudar tecnicamente qual a melhor providência a se tomar.
8 – Lombadas
É muito comum a Prefeitura e os vereadores receberem pedidos de munícipes para implantação de lombadas nos bairros ou ruas em que residem (para atenuar o problema de alta velocidade de veículos que transitam).
É importante ressaltar que lombadas, principalmente as de concreto, geram vibrações frequentes, que podem gerar danos a construções próximas (fissura em paredes, rachaduras em pisos e afrouxamento de estruturas).
Portanto, deve se estudar muito o local, pois as consequências podem ser péssimas para as edificações.
9 – Novela eleitoral de Bragança
O julgamento referente ao recurso a ser julgado no Tribunal Superior Eleitoral sobre as eleições de Bragança, foi adiado para a semana que vem. São 7 julgadores, e podem ocorrer novos prolongamentos.
O resultado é imprevisível. Pode ser confirmado o que já foi decidido nas eleições.
Caso se julgue por nova eleição, ela só ocorrerá no ano que vem (durante as chamadas janelas partidárias). Até aí, o prefeito será o presidente da Câmara Sebastião Amaral Garcia (o Tião do Fórum).
10 – Red Bull – público pequeno
Depois da paralisação do campeonato, o Red Bull Bragantino voltou tendo várias derrotas seguidas, o que é explicado pelas contusões, e pequeno plantel.
O novo estádio ficou ótimo, mas o público dos jogos é muito pequeno. No último jogo contra o Botafogo tivemos menos de 4 mil pessoas (1 mil de torcedores do time carioca).
Será o preço do ingresso? Mesmo quando o clube estava quase na liderança, o público foi decepcionante.
11 – Juro que e verdade
Nas décadas de 1970 a 2000, nas eleições, era permitida a distribuição de brindes. Um candidato a vereador, novato e inexperiente, recebeu 60 bolas de plástico, com seu nome e número, para distribuir aos eleitores. Animado, botou todas as bolas no seu carro, e foi correndo para um bairro popular, para angariar votos.
Na sua ingenuidade raciocinou: CADA BOLA…UMA FAMÍLIA QUE VOTA.
Parou o carro numa pracinha e começou a chamar a criançada: BOLA PRA VOCÊS….BOLA.
A criançada se animou, foi juntando gente, pais e mães com os filhos e o candidato, organizado, disse: FORMEM FILA… e começou a distribuir. A fila foi aumentando e ele no maior sucesso, entregava a bola, beijava a criança, e pedia voto aos pais. E foi indo, bola, beijo, bola, beijo, e a fila foi aumentando. Dai ..aconteceu o inevitável (que ele não tinha previsto), e ele disse alto:
– XI…ACABOU A BOLA.
Começou um murmúrio na fila… o murmúrio aumentava, até que uma senhora que estava carregando o filho, tacou a gasolina e riscou o fósforo:
– CORNO…VOCÊ VEIO AQUI ATIÇAR AS CRIANÇAS E NÃO TEM MAIS BOLA. Uma outra já lascou uma vassourada no carro do candidato. Outros começaram a bater na lataria. Com muita dificuldade ele deixou o local com o carro amassado, sem os vidros inteiros….e….sem.. votos.
*Marcus Valle é advogado, professor universitário e ex-vereador.
Contato: [email protected]
A Coluna do Marcus Valle é publicada todos os sábados. Para conferir as colunas anteriores basta clicar aqui.
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