Coluna do Tárcio Cacossi: atitudes e cobranças mais enérgicas

*Por Tárcio Cacossi
Atitudes e cobranças precisam ser mais enérgicas
Com o perdão do trocadilho à empresa de energéticos que trouxe seus investimentos no futebol para Bragança Paulista, está na hora de ter atitude e das cobranças serem mais enérgicas entre todos que fazem parte do time principal masculino do Red Bull Bragantino depois de chegar a oito derrotas seguidas e nove jogos sem vencer.
Para resgatar aquela energia apresentada no início do Campeonato Brasileiro, que deixaram o time próximo da liderança do Brasileirão, é preciso que os jogadores, a comissão técnica e a diretoria se mobilizem, cada qual no que lhe compete.
Os jogadores não podem reclamar de falta de estrutura e condições de trabalho. Pelo contrário. A Red Bull oferece o que há de melhor no mundo para treinamento, descanso, recuperação e alimentação, além de salários muito bons e em dia. Para a comissão técnica o mesmo se aplica. Treinador, auxiliares, preparadores físicos, médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, analistas de desempenho e outros têm o que há de excelência em espaço físico e materiais de trabalho à disposição.
E agora nem podem reclamar do calendário, pois só resta o Brasileiro e tempo de sobra para treinamento. Para a diretoria local também não tem faltado respaldo global, já que o time passou a ter mais recursos para contratações em relação ao ano passado, quando quase foi rebaixado.
Aos jogadores é preciso olhar para tudo isso e se dedicar mais dentro de campo. É inadmissível o time tomar tantos gols por erros básicos de marcação. Da mesma forma errar tantos passes e finalizações. Levar tantos cartões desnecessários que resultam em suspensões. Há situações em que alguns jogadores parecem querer dar um jeito de escapar de campo nessa fase ruim.
À comissão técnica é preciso ir mais adiante nas cobranças com os jogadores, mas também olhar para si. Dificilmente os treinadores têm a humildade de olhar para os próprios erros e deixam nas entrelinhas que o plano de jogo não deu certo porque os jogadores não cumpriram ou, mentalmente falando, não tiveram a competitividade necessária em alguns momentos. E se o plano de jogo estiver errado? Ou as escolhas táticas e estratégicas durante o jogo não forem ousadas e criativas o suficiente para mudar o panorama adverso em uma partida?
No departamento médico, por que alguns jogadores se contundem tanto? Ou demoram para se recuperar? Ou ficam tanto tempo em transição?
À diretoria cabe analisar todas essas frentes e cobrar melhora no rendimento no que, e em quem, estiver falhando, dentro e fora de campo. Seja por falta de dedicação ou competência, é preciso coragem para mudar o que ou quem quer que seja necessário.
Em relação aos jogadores isso se faz ainda mais urgente, pois há apenas mais alguns dias de janela de transferências aberta para tentar negociar, em definitivo ou por empréstimo, quem não estiver rendendo e fazer contratações.
Pelo que se observa nos jogos, por mais que o treinador possa cometer alguns erros – como no sábado, na derrota diante do Ceará, em Fortaleza, em que o time ficou penso do lado esquerdo no primeiro tempo e não conseguiu pressionar o adversário o suficiente na segunda etapa porque Fernando Seabra manteve dois zagueiros até o final quando tinha mais opções de ataque e mais alterações para fazer – falta qualidade ainda para o time, apesar de todas as contratações, e que alguns jogadores que estão no departamento médico, como Vinicinho e Mosquera, não deram mostras até agora de que são capazes de assumirem qualquer protagonismo. Também é muito claro que não há um substituto à altura de Jhon Jhon.
Portanto, ao contrário do que disse o treinador, trazer apenas mais um zagueiro dificilmente será o suficiente para o time, que tem o objetivo, como ele mesmo tornou público, de terminar entre os 10 primeiros colocados, diante das exigências e do nível técnico do campeonato.
Em toda metade de temporada de qualquer organização esportiva, é importante fazer uma revisão em todos os setores. No caso do Bragantino, pela crise técnica, ainda mais, a fim de se precaver e evitar o sufoco do ano passado. Inclusive cabe à diretoria global verificar se a diretoria local está atuando na resolução de todas as necessidades ao mesmo tempo em que deve dar apoio e respaldo. Nomes como Mario Gomez, diretor técnico global da Red Bull, e principalmente Jurgen Klopp, chefe global de futebol, seriam bem-vindos.
SUB-20 DANDO ORGULHO
Se a equipe principal masculina está mal no momento, a equipe sub-20 dá orgulho. Com uma goleada sem dó nem piedade diante do indigesto Athletico-PR, o time se classificou para a final do Campeonato Brasileiro diante do Palmeiras e merece o apoio da torcida no jogo de ida da decisão na próxima quarta-feira, 20, às 18h00, no Estádio Municipal, com entrada gratuita. Mais do que o resultado já positivo, de chegar pela primeira vez a uma final nacional de base, há jogadores muito bem formados técnica e taticamente e que oferecem uma boa perspectiva para o clube num futuro próximo.
FEMININO NO CAMINHO CERTO
Apesar da eliminação nas quartas de final do Campeonato Brasileiro Feminino, só em ter chegado na fase final da competição pelo segundo ano consecutivo e se consolidar cada vez mais como um dos principais clubes do país, já é de se comemorar, depois de ter amargado a segunda divisão dois anos atrás. Se no ano passado deu azar ao pegar o Corinthians, que foi o campeão, nesta edição não foi muito diferente e se deparou contra um forte adversário, que teve a melhor campanha da primeira fase, e quer ofuscar as atuais campeãs. Fica a lição da importância em fazer uma campanha melhor na primeira fase para evitar confrontos mais duros logo no início do mata-mata.
RUMO À SÉRIE B?
A liderança é essencial em todos os setores – e no esporte não é diferente. Um bom líder inspira confiança, motiva equipes e é a peça mais importante para promover um ambiente de satisfação e comprometimento em busca de resultados. É o exemplo a ser seguido. Neymar é o avesso disso no Santos e o comportamento dele ao sair de campo na goleada por 6 a 0 diante do Vasco, num dos maiores vexames da história do clube, é mais uma prova.
Ao invés de motivar os companheiros e sair de cabeça erguida, desabou em lágrimas. Ainda após ter tido a oportunidade de esfriar a cabeça fez praticamente um pronunciamento à imprensa rápido ao invés de encarar os jornalistas, como fazem os grandes líderes e capitães nesse momento.
O Santos optou em se entregar às necessidades e caprichos de Neymar, mas ainda dá tempo de se tornar um time de verdade, contratando um treinador e outros atletas com personalidade e autonomia para dividir essa liderança. Se depender de Neymar, a Série B é logo ali novamente.
*Tárcio Cacossi, é jornalista, com MBA em Gestão e Marketing Esportivo.
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