Coluna do Tárcio Cacossi e a zona de conforto do Red Bull Bragantino

Coluna do Tárcio Cacossi e a zona de conforto do Red Bull Bragantino
*Por Tárcio Cacossi

O RED BULL BRAGANTINO E A ZONA DE CONFORTO

 

Mesmo com a goleada sofrida diante do Botafogo por 4 a 1, o Red Bull Bragantino não saiu da zona de conforto na classificação do Campeonato Brasileiro e continua na oitava colocação. Ainda que tenha jogos a mais que alguns adversários, está dentro da média para conquistar seu objetivo de ficar entre os 10 primeiros colocados.

A zona de conforto que preocupa em relação ao Red Bull Bragantino é outra. Por ser uma empresa privada – diferente de uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol), em que apenas o futebol é administrado por uma gestão empresarial e o clube continua com um quadro associativo e eventualmente outras modalidades e ainda mais distante de um clube 100% associativo – não há pressão interna aos jogadores e comissão técnica. Também por estar numa cidade pequena em relação às grandes capitais dos clubes concorrentes não há um grande número de torcedores pressionando o time.

Ou seja, trabalhando numa grande empresa, com uma excelente estrutura, altos salários em dia, sem cobrança do torcedor no estádio, no CT ou nas ruas a situação é muito confortável para jogadores, comissão técnica e dirigentes. Somando-se a isso o fato de os integrantes do clube serem totalmente blindados do contato com a imprensa – salvo raras exceções há abertura de aquecimento de treino e entrevistas coletivas – está montado o cenário perfeito para o relaxamento e a desconexão com os anseios da torcida e de uma cidade. Esse afastamento afeta não só a paixão da torcida como também dos jogadores dentro de campo.

Nos últimos anos, não foi a primeira vez que vimos em campo um time sem paixão, com erros de posicionamento, marcação, defesas, passes, cruzamentos, lançamentos, finalizações e outros demonstrando muito mais que falta de qualidade e sim falta de concentração e atitude, inclusive por parte da comissão técnica, que na goleada sofrida diante do Botafogo assistiu passivamente a equipe sendo superada numericamente em todos os setores do campo.

Como já mencionei anteriormente em outras colunas, não há dúvidas da capacidade de Fernando Seabra como treinador e do conhecimento dele de tudo o que envolve trabalhar num clube bastante peculiar, com uma gestão global e a exigência em revelar e lapidar novos talentos, mas ele e qualquer outro treinador precisa de mais apoio.

Infelizmente, é muito tempo para remoer essa derrota e é o momento de Diego Cerri, diretor de futebol, cobrar sim de Fernando Seabra em relação à postura tática da equipe e suas escolhas, mas principalmente dos jogadores quanto à apatia e displicência demonstrada em alguns momentos.

Depois do retorno devido à pausa para a Copa do Mundo de Clubes, em 12 jogos (Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil) o Bragantino venceu apenas dois. Houve ainda um empate e nove derrotas. Levando-se em consideração as últimas 10 rodadas do Brasileirão, o Red Bull Bragantino tem campanha de time rebaixado. É o 17º, à frente apenas de Sport, Fortaleza e Atlético-MG.

Desde 2022, o time teve vários momentos de queda abrupta de rendimento e é preciso analisar outros fatores, além do que acontece em campo, para se chegar a uma conclusão.

É óbvio que falta paixão nessa relação, principal componente do esporte para quem trabalha e para quem torce. Não serei eu a dar uma receita de bolo até porque o marketing não é uma ciência exata, mas certamente no clube há gente capacitada para detectar isso e efetivar mais ações que cativem as pessoas de Bragança Paulista e região e as aproximem dos jogadores, a fim de que eles tenham um propósito maior que apenas olhar para si.

CIFRAS ASTRONÔMICAS

Impressiona como no futebol os valores são cada vez mais estratosféricos em salários, patrocínios, direitos de transmissão e contratações. Uma das maiores novelas dessa última janela de transferências. De acordo com a BBC, o Liverpool, atual campeão da Premier League pagará 125 milhões de libras (R$ 922,3 milhões na cotação atual) ao Newcastle para ter o atacante sueco Alexander Isak, de 25 anos. Seria a terceira contratação mais cara da história do futebol, atrás somente de Neymar e Mbappé. Se os valores envolvendo o brasileiro e o francês, que dispensam comentários em qualidade técnica, já foram absurdos, o que dizer de Isak, que é muito bom jogador, mas longe de ser um dos melhores do mundo até o momento. É algo a se refletir.

Em relação ao Bragantino, que fez apenas contratações para reposição de peças na zaga e na lateral esquerda, espera-se pelo menos a manutenção da base. Jhon Jhon, principal jogador do time, chegou a despertar interesse do Zenit, da Rússia, mas o Braga descartou. Tomara que não haja surpresas de última hora.

*Tárcio Cacossi, é jornalista, com MBA em Gestão e Marketing Esportivo. 

Clique aqui para conferir as colunas anteriores de Tárcio Cacossi.


Siga o Bragança Em Pauta no Instagram e no Bluesky