Editora de Atibaia vence Mostra Audiovisual com curta sobre ancestralidade

Editora de Atibaia vence Mostra Audiovisual com curta sobre ancestralidade


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Histórias de resistência, ancestralidade e espiritualidade figuram como o centro da 5ª Mostra Audiovisual do Museu da Pessoa – Vidas Indígenas,  que aconteceu no final de agosto. Entre os vencedores, está a editora de Atibaia, Aline Pinheiro, com a produção ‘’Os Sonhos de Jamopoty’’.

A cerimônia de premiação, que aconteceu dois dias antes, no Espaço Petrobras de Cinema, em São Paulo, revelou todos os 12 vencedores entre mais de 200 filmes inscritos nas categorias Criadores Indígenas, Novos Talentos, Livre e Júri Popular. Cada premiado recebeu R$4 mil. A plataforma online gratuita reuniu 31 curtas-metragens de realizadores de todo o Brasil. A Mostra pode ser acessada em mostra.museudapessoa.org.

“Quando ouvimos as histórias dos povos indígenas, percebemos que existe uma tecnologia ancestral de memória, que passa de geração em geração e resiste ao apagamento. A Mostra dá visibilidade a essas narrativas, que agora também se renovam no ambiente digital”, afirmou Karen Worcman, diretora e fundadora do Museu da Pessoa.

 

 

Aline Pinheiro, roteirista de Atibaia, entre os destaques da mostra

Entre os premiados, um dos nomes que se destacou foi o da montadora, roteirista, editora de Atibaia, Aline Pinheiro da Cunha, que venceu com o curta “Os Sonhos de Jamopoty – Maria Valdelice Jamopoty”. A obra é inspirada na história de Maria Valdelice Amaral de Jesus (Jamopoty), liderança do povo Tupinambá de Olivença (BA), e mergulha em suas reflexões sobre sonhos, espiritualidade e luta pela demarcação de terras indígenas.

Em entrevista exclusiva para o Em Pauta, a editora de Atibaia, Aline contou como a experiência de contato com a história de Jamopoty mudou sua visão de mundo:

Editora de Atibaia
Fotos: Arquivo Pessoal Aline Pinheiro

“A ideia surgiu da própria provocação que o edital da mostra audiovisual Vidas Indígenas propôs, como aquelas histórias poderiam inspirar, provocar e transformar o mundo em que vivemos. E depois de assistir algumas histórias selecionadas pela mostra, eu escolhi me associar a história de Valdelice Jamopoty Tupinamabá, de Olivença, Bahia. E a voz de Jamopoty ressoou em mim porque ela fala de sonhos, os que temos dormindo e os que são as nossas aspirações, tema que tem inspirado meus projetos. A partir de então eu fiz uma pesquisa sobre Jamopoty, a luta das centenas de TI’s pela demarcação e pelo reconhecimento de seus direitos e os sonhos em algumas culturas indígenas. Eu sou editora de vídeos há mais de 20 anos, então foi fazer o que sei fazer, contar a história de Jamopoty e tentar inspirar a quem assistir a não desistir de sonhar um mundo melhor. E temos muitas sugestões de mundos melhores vindo de vozes indígenas.”

A editora de Atibaia Aline tem mais de 15 anos de experiência no audiovisual e é co-fundadora do coletivo NOMA. Para ela, a experiência de estar em contato com a cultura indígena mudou a forma como ela enxerga o mundo.

“Mês passado eu fiz o pré-lançamento em Atibaia do meu curta que fala sobre ancestralidade, conexão c a natureza. Falar de sonhos é tbm falar de ancestralidade. Jamopoty fala sobre uma existência que só faz sentido no coletivo. Os sonhos são coletivos, as lutas são coletivas. Ela traz essa inspiração pra mim de não deixar de sonhar pelo coletivo, de lutar por uma vida que seja digna para todos os seres viventes. Fica esse chamado de Jamopoty pra mim e pra todos nós.’’, comentou.

O curta da editora de Atibaia já teve uma pré-estreia na cidade natal da diretora. Ele pode ser assistido gratuitamente, clique aqui.

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