Coluna do Tárcio Cacossi: arena para 20 mil lugares….para que?

Coluna do Tárcio Cacossi: arena para 20 mil lugares….para que?

*Por Tárcio Cacossi

Arena para 20 mil lugares… para que?

Antes que alguém possa pensar que sou contra a construção de uma arena para 20 mil lugares, iniciada na semana passada com a demolição da antiga estrutura do estádio Nabi Abi Chedid, antigo “Marcelão” – com tudo o que há de melhor e mais moderno para a realização de jogos do Red Bull Bragantino e outros eventos – o título é apenas uma provocação.

O que explica a média de público do Red Bull Bragantino no Campeonato Brasileiro ser de apenas 4.940 torcedores por partida?

Apesar de o Estádio Municipal Cícero de Souza Marques não ter lugares mais populares nas laterais, como era o chamado “puleiro” no antigo estádio, a mudança de local não é, uma vez que nos três primeiros jogos da competição, disputados no Nabi Chedid, a média foi de 4.836 torcedores enquanto no Municipal é de 4.974.

Inclusive essa média é muito em função da partida diante do Cruzeiro, a última oficial no antigo estádio, além dos jogos contra os clubes de grandes torcidas, já na nova casa, incluindo Flamengo, Palmeiras e São Paulo. Ou seja, com muitos torcedores que vieram para torcer contra o Massa Bruta.

Tenho cobrado aqui neste espaço uma necessidade de maior mobilização do clube no sentido de cativar o público não só de Bragança Paulista como também da região a, de fato, torcerem para o Red Bull Bragantino e tê-lo como primeiro time, diante da concorrência principalmente de Corinthians, Palmeiras e São Paulo.

Por outro lado, também reconheço que não é fácil romper uma barreira cultural em geral do brasileiro em relação ao esporte: de apoiar, participar e se mobilizar somente quando está ganhando. É aquela velha máxima que todos que atuam com gestão esportiva sabem: “o brasileiro não gosta de torcer, gosta de vencer”. Nesse sentido o Brasil está longe de ser o país do futebol.

Logicamente que se compararmos com a época de séries B e C, quando havia jogos com cerca de 300 torcedores na década passada, já é um salto. Mas ainda assim não é um avanço proporcional ao que o clube teve com a chegada da Red Bull.

É preciso, acima de tudo, que as pessoas valorizem o fato de termos aqui presente um clube de primeira linha e referência no futebol brasileiro, pois é algo muito fora da curva, e num município com pouco mais de 180 mil habitantes, diferentemente de grandes metrópoles onde se situam a maioria dos adversários.

É vergonhoso estar na lanterna da Série A em média de público, atrás até mesmo do Mirassol, que está numa cidade de apenas 63 mil habitantes, apesar da euforia natural de ser a primeira participação do clube no Brasileirão e com uma campanha histórica.

Seria muito triste e decepcionante se a nova arena, quando inaugurada, daqui 4 a ou 5 anos, tivesse menos de 1/4 de sua capacidade ocupada nos jogos do Red Bull Bragantino. Pensem nisso!

MAUS RESULTADOS PODEM EXIGIR MUDANÇAS MAIS DRÁSTICAS

Como estamos tratando de torcida, embora os maus resultados recentes não sirvam de justificativa para o afastamento do torcedor no estádio – infelizmente o afastamento já é normal por aqui – é clara e justa a insatisfação com os jogadores e o técnico Fernando Seabra.

Apesar de o público no estádio ser muito aquém do que o clube merecia, é preciso que as diretorias – local e global – valorizem os torcedores que comparecem e todos os que apoiam de alguma forma e cobrem mais concentração e comprometimento dos jogadores e comissão técnica nas partidas. Afinal, o investimento da Red Bull neles não é nada baixo. É inadmissível levar um gol do Sport, lanterna do campeonato, no último minuto.

Ainda sou a favor da permanência do técnico Fernando Seabra, pois no mínimo 90% dos resultados ruins que têm acontecido são por falhas dos jogadores e o vejo como capaz de estar à frente da equipe principal num projeto que exige conhecimento acadêmico e capacidade de trabalhar com jovens e potencializá-los.

A situação ainda é favorável na classificação, pois o time está em 8º lugar, dentro de seu objetivo de terminar entre os 10 primeiros e se classificar para a Copa Sul-Americana. Mas se o time continuar nessa descendente nas próximas rodadas ninguém mais poderá ser intocável em qualquer cargo ou função no clube. É preciso ter no radar outros treinadores e, se for o caso futuramente, até diretores, independentemente de nacionalidade. Certamente a Red Bull já tem.

*Tárcio Cacossi, é jornalista, com MBA em Gestão e Marketing Esportivo. 

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Um comentário em “Coluna do Tárcio Cacossi: arena para 20 mil lugares….para que?

  1. Antes de cobrar um publico melhor, devemos lembrar que a média vem subindo. Estar proximo de SP tem suas desvantagens, com os adeptos do futebol já enraizados no times da capital. Vai levar décadas e novas geraçãoes pra haver uma mudança.

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