Coluna do Tárcio Cacossi: muito além da profissionalização

Coluna do Tárcio Cacossi: muito além da profissionalização

*Por Tárcio Cacossi

Muito além da profissionalização

 

Não há como tratar da rodada do último final de semana no Campeonato Brasileiro sem mencionar a arbitragem.  

Depois das polêmicas da 27ª rodada da competição, a Comissão de Arbitragem da CBF informou que afastará e dará treinamento de aperfeiçoamento aos árbitros Lucas Casagrande (PR), de campo, e Gilberto Rodrigues Castro Junior (PE), do VAR, que atuaram no duelo entre Red Bull Bragantino e Grêmio 

Ramon Abatti Abel (SP) e Ilbert Estevam da Silva (SC), responsáveis, respectivamente, pelas decisões de campo e vídeo no clássico entre São Paulo e Palmeiras, também estão afastados temporariamente.  

No jogo entre Red Bull Bragantino e Grêmio, a arbitragem conseguiu desagradar as duas equipes. O Braga pelo fato de permitir que os jogadores do Grêmio retardassem a partida nas reposições de bola e reclamações e o Grêmio, logicamente, pelos lances capitais, que envolveram a expulsão do zagueiro Kannemann ainda no primeiro tempo e principalmente o pênalti marcado no último instante, em que a bola toca no braço de Marlon, já recolhido. O VAR, inadequadamente, recomendou a revisão e expôs o árbitro desnecessariamente no último instante da partida e o árbitro, por sua vez, não teve pulso para manter a sua decisão de campo, a favor da equipe visitante. 

Gilberto Rodrigues Castro Junior já havia cometido um erro grave ao recomendar a revisão de um lance que resultou num pênalti a favor do Internacional diante do Corinthians, na última quarta-feira, em Porto Alegre. Parece ser o chamado de árbitro “caseiro” de antigamente, mesmo a km de distância numa confortável sala da CBF.  

Os erros cometidos contra o São Paulo na partida diante do Palmeiras são ainda mais claros e absolutamente inacreditáveis.  

No entanto, ainda assim não acredito em má intenção e sim em falta de competência e critérios. 

Sempre quando acontecem erros que saltam aos olhos, fala-se em profissionalização da arbitragem. Mas somente pagar bons salários sem treinamento não adianta. É preciso ter conteúdo de qualidade e a participação de quem entende do assunto.  

A CBF deveria procurar a Premier League (Liga Inglesa), que tem o melhor campeonato nacional e a melhor arbitragem do mundo, para aprender.  

Acredito que seja o próximo passo, já que a reformulação do calendário foi um bom indício. 

CALENDÁRIO POSITIVO 

Por falar em calendário, depois de anos vivendo numa bolha, parece que a CBF está se abrindo para a realidade. Samir Xaud, de Roraima, que surgiu “do nada” após o afastamento de Edinaldo Rodrigues e parecia num primeiro momento ser mais um “paraquedista” de ocasião, tem tido coragem de tocar em algumas antigas feridas do futebl brasileiro e acertou no calendário anunciado para 2026 a 2029.  

O maior progresso é o Campeonato Brasileiro sendo disputado ao longo de todo o ano. Como principal produto do futebol nacional, terá melhores condições comerciais e consequentemente financeira para os clubes. Proporciona também um efeito cascata nesse sentido às divisões inferiores. 

Com a redução dos estaduais, de 16 para 11 datas, só quem perde mesmo é a Federação Paulista de Futebol. O Campeonato Paulista é o único que ainda gera receita relevante com transmissão e patrocínios. Menos datas e a perda da “exclusividade” no início do ano — já que o Brasileiro passará a estar sobreposto — afetam seu estadual. Mas já estava mais do que na hora. Não se pode para sacrificar o futebol do país inteiro para os ganhos de apenas um estado. Bola dentro da CBF!

*Tárcio Cacossi, é jornalista, com MBA em Gestão e Marketing Esportivo, e comentarista da Rádio Bragança FM

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