Coluna do Tárcio Cacossi e a saída tardia do Fernando Seabra

*Por Tárcio Cacossi
A saída tardia de Fernando Seabra
A demissão do técnico Fernando Seabra era a única saída para o Red Bull Bragantino buscar uma reação no Campeonato Brasileiro. Os números comprovam a ineficiência do trabalho do treinador.
Desde o retorno da Copa do Mundo de Clubes, em julho, nos últimos 20 jogos, são 13 derrotas, quatro empates e três vitórias.
Apenas nos últimos três jogos, o time levou nove gols e marcou um. Em 30 jogos, são ao todo 47 gols sofridos e 34 marcados, um saldo negativo de 13. Apenas o Juventude, com 56 gols sofridos, tem uma defesa pior. Até mesmo o Sport, virtual rebaixado, sofreu um gol a menos que o Bragantino.
No ano passado, quando quase foi rebaixado, após a 30ª rodada o clube tinha o mesmo número de gols marcados e 39 sofridos, com apenas dois pontos a menos.
Ou seja, depois de brigar pela liderança no primeiro turno a equipe volta ao mesmo cenário do ano passado e todos sabem o sufoco que o time passou para escapar do rebaixamento.
Mas a culpa não pode ser relegada somente ao treinador e aos atletas. O diretor esportivo Diego Cerri demorou demais para tomar essa decisão, que deveria acontecer na virada do turno, quando o time teve oito derrotas seguidas e já era evidente uma queda significativa de rendimento. Naquele momento, haveria uma margem maior para a escolha de um novo treinador, brasileiro ou estrangeiro, que teria um segundo turno todo pela frente mais as datas Fifa para acertar o time e resgatar os comportamentos exigidos pela empresa, de muita energia dentro de campo, com intensidade na criação e conclusão das jogadas e agressividade na marcação.
A falta de criatividade e ousadia do treinador só foram aumentando ao longo do segundo turno e isso refletiu na equipe dentro de campo, com os jogadores já não mais assimilando as ideias táticas e mentalmente sem confiança.
Agora, faltando apenas oito jogos, é preciso pensar numa alternativa mais segura. Nesse sentido, o ideal seria alguém que conheça o projeto Red Bull e suas complexidades corporativas, como foi o próprio Fernando Seabra, que já havia trabalhado no clube, no ano passado após a saída de Pedro Caixinha.
De nomes que trabalharam na Red Bull – contando Red Bull Brasil e Bragantino – estão disponíveis Ricardo Catalá, Antonio Carlos Zago, Felipe Conceição, Maurício Barbieri e Pedro Caixinha.
Ricardo Catalá subiu recentemente para a Série B com o São Bernardo. Trabalhou quando o clube era ainda Red Bull Brasil, até 2018, mas não tem nenhuma experiência em times de Série A.
Antonio Carlos Zago conquistou o título da Série B em 2019 numa campanha histórica, logo quando a Red Bull assumiu o clube, mas acabou saindo em litígio após se transferir para o Kashima Antlers, do Japão. Desde então não vem emplacando bons trabalhos, com exceção de um título boliviano em 2022 no comando do Bolívar. Seu último trabalho foi no Botafogo-PB, time que está na Série C, de onde foi demitido em maio.
Felipe Conceição teve uma queda abrupta em sua carreira depois da saída do Red Bull Bragantino em 2020. Seu último trabalho foi no Itabirito-RJ, último colocado de seu grupo na Série D.
Maurício Barbieri saiu do Red Bull Bragantino ao final da temporada 2022, que ficou marcada por eliminações precoces na Libertadores, Copa do Brasil e uma campanha ruim no Brasileiro. Posteriormente, não conseguiu bons resultados nos clubes que assumiu – Vasco, Juarez-MEX e Athletico-PR. Mas entre o final de 2020, quando assumiu, e 2021, fez grandes campanhas. Levou o time pela primeira vez a uma Sul-Americana após tirá-lo da zona de rebaixamento no primeiro ano e na temporada seguinte terminou em sexto lugar no Brasileirão, se classificando a uma inédita participação na Libertadores, além de ter sido vice-campeão da Copa Sul-Americana.
Pedro Caixinha teve uma temporada excelente em 2023, com a melhor campanha da história do clube nos pontos corridos, também se classificando para a Libertadores, embora na fase prévia, quando foi eliminado pelo campeão do ano seguinte Botafogo, mas em 2024 foi muito mal, além de ter deixado uma péssima impressão na gestão de grupo e relacionamento com a torcida.
Portanto, de todos esses nomes, o mais adequado seria Maurício Barbieri. No entanto, logicamente não estaria descartada a contratação de algum treinador que ainda não tenha trabalhado no projeto, como Roger Machado, por exemplo. Mas para esse momento mais delicado seria uma aposta mais arriscada.
*Tárcio Cacossi, é jornalista, com MBA em Gestão e Marketing Esportivo, e comentarista da Rádio Bragança FM
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