Coluna do Tárcio Cacossi e a semana mágica do Bragantino

*Por Tárcio Cacossi
A semana mágica do Bragantino
Na coluna da semana passada alertamos para a árdua tarefa que teria o técnico Vagner Mancini na missão de salvar o Red Bull Bragantino, que vinha em queda livre, do rebaixamento no Campeonato Brasileiro. E eis que a equipe conseguiu a proeza de vencer Corinthians e São Paulo, dois gigantes do futebol brasileiro.
Chamou a atenção em ambos os confrontos, a organização tática e a estratégia de acordo com o que pedia cada momento.
Na última quarta-feira, teve a coragem de encarar de igual pra igual o Corinthians, que vinha numa boa fase, e em muitos momentos envolver o adversário, mesmo quando havia 11 contra 11. No segundo tempo, com um a mais, encurralou o Timão até que foi coroado nos momentos finais com o gol da vitória, marcado por Isidro Pitta, que voltava de lesão, para euforia de sua torcida no Estádio Municipal, dando um tom ainda mais especial.
Diante do São Paulo, na Vila Belmiro, Mancini surpreendeu ao escalar no lugar do atacante Nacho Laquintana o meio-campista Gustavo Neves, que já havia atuado praticamente como um ala no segundo tempo do jogo contra o Corinthians, para ajudar a neutralizar o meio-campo do São Paulo e dar mais liberdade para Jhon Jhon.
O Massa Bruta “desgastou” o Tricolor no primeiro tempo e na segunda etapa, bem mais inteiro fisicamente que o adversário, conseguiu ter mais volume de jogo e sair com a vitória, de forma merecida. O detalhe é que o gol, apesar de ter sido de pênalti, foi originado numa troca de passes de 50 segundos, algo raro no futebol de hoje em dia, ainda mais no caso do Bragantino, que vinha tendo muitas dificuldades nesse quesito, com um dos menores percentuais de posse de bola na competição. Já ao final do jogo, o único jogador de ataque era Thiago Borbas. O restante apenas jogadores de marcação para segurar o São Paulo até o apito final.
Mencionamos com mais detalhes o desenrolar dos confrontos a fim de destacar a diferença dos comportamentos da equipe sob o comando do novo treinador, apresentando variações táticas, paciência e precisão na construção de jogo, além de organização defensiva para segurar resultado. Nada disso havia restado sob o comando de Fernando Seabra, um bom treinador, mas que a partir da metade da temporada não conseguiu mais explorar o potencial da equipe.
De acordo com dados do departamento de matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as chances de rebaixamento são de apenas 0,19% enquanto a probabilidade de classificação para a Copa Sul-Americana, objetivo estabelecido pelo clube no início da competição, chegaram a 84,7%.
É notória a evolução da equipe sob o comando de Mancini, mas é preciso que nessas últimas rodadas o time pense grande e não se contente apenas em se livrar do rebaixamento, já que depois de ter chegado a brigar pela liderança no início da competição, o mínimo que a torcida esperar é terminar bem a temporada e deixar de vez para trás os momentos de agonia vividos até a troca de treinador.
Inclusive porque há chances de classificação até para a Libertadores. Embora remotas, de apenas 0,96%, esse número pode mudar. O chamado G6, grupo dos times que se classificam para a Libertadores, com quatro vagas diretas e duas para fase prévia, já virou G7, uma vez que Flamengo e Palmeiras, os dois primeiros colocados e já com vaga garantida através do Brasileirão, disputam o título da Libertadores. Quem for o campeão, ficará automaticamente com uma vaga para a próxima edição da competição continental, “abrindo” mais uma vaga através do Campeonato Brasileiro.
E o G7 ainda pode virar G8, caso o time que for o campeão da Copa do Brasil (Cruzeiro, Corinthians, Fluminense e Vasco são os semifinalistas da competição) terminem entre os sete primeiros.
VERGONHA NACIONAL
Por falar em treinador, Vagner Mancini é presidente da Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol (FBTF), que realizou um fórum de treinadores na sede da CBF na última terça-feira, 4. “Viralizaram” as falas constrangedoras de Leão e Oswaldo de Oliveira – ex-treinadores e que talvez nem devessem estar presentes – em defesa dos técnicos brasileiros, na presença do italiano Carlo Ancelotti, da seleção brasileira, destilando seu ódio e frustração por possivelmente não terem alcançado o sucesso que esperavam para suas carreiras.
O técnico do Bragantino, que presenciou aqueles momentos grotescos, se disse envergonhado e reconheceu que, por essas e outras posturas, os treinadores brasileiros têm perdido mercado. Por outro lado, afirmou que o fórum debateu assuntos importantes que com o tempo trarão resultados positivos à categoria. A ver.
*Tárcio Cacossi, é jornalista, com MBA em Gestão e Marketing Esportivo, e comentarista da Rádio Bragança FM
Clique aqui para conferir as colunas anteriores de Tárcio Cacossi.
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