Coluna do Tárcio Cacossi e a estabilidade do Bragantino

*Por Tárcio Cacossi
Equilíbrio e estabilidade no Red Bull Bragantino transmitem confiança de uma temporada melhor
A inédita invencibilidade de sete jogos do Red Bull Bragantino neste início de temporada, com quatro vitórias e três empates, e apenas um gol levado, reflete o equilíbrio e a estabilidade da equipe comandada pelo técnico Vagner Mancini e também pelos reforços pontuais e ajustes no elenco por parte da diretoria.
Com o time apresentando variações de comportamento – e não somente indo para cima do adversário e se expondo a todo momento, como acontecia com os técnicos anteriores – o equilíbrio entre atacar e defender subindo e baixando as linhas de marcação, acelerar e desacelerar com a posse de bola, já apresentado no ano passado com a chegada do novo treinador, tem prevalecido também neste início de ano, o que traz mais estabilidade para a equipe, que se sente mais segura por não levar tantos gols.
A falta de criatividade desde a saída de Jhon Jhon, negociado com o Zenit, da Rússia, pode ser trazida de volta com Rodriguinho, que mudou a dinâmica do meio-campo e passou uma excelente impressão em sua estreia na última partida, o empate em 1 a 1 em casa, no último domingo, diante do São Bernardo.
Naturalmente nesse jogo a equipe teve dificuldades, com uma formação reserva em campo. Mas a prioridade é o Campeonato Brasileiro. Além do mais, a classificação para a segunda fase do Paulistão já está bem encaminhada e o jogo serviu para dar ritmo aos reservas e novos contratados.
Logicamente, é apenas um começo de temporada e o nível de enfrentamento vai subir com a disputa do Campeonato Brasileiro, começando pelo jogo contra o Atlético-MG, na próxima quarta-feira, em Bragança Paulista. Mas diante do mesmo Atlético – as equipes mudaram pouco – o Red Bull Bragantino fez uma excelente partida e venceu por 2 a 0, em novembro do ano passado, no mesmo Estádio Municipal Cícero de Souza Marques. Além disso, justamente pelo equilíbrio e estabilidade apresentados, a equipe transmite mais confiança de que possa fazer uma temporada mais regular, sem sustos de rebaixamento, como nos dois anos anteriores.
MAIS UM RECADO A ANCELOTTI
O título do Corinthians diante do Flamengo na Supercopa Rei deu mais um recado ao técnico da seleção brasileira Carlo Ancelotti, presente no estádio. Lucas Paquetá, contratado por R$ 260 milhões pelo Flamengo e que vinha atuando no West Ham, hoje um time meramente coadjuvante na Premier League, jamais conseguiu se destacar na seleção brasileira – em que pese o afastamento por conta de acusações de participar de esquemas de apostas, das quais foi inocentado – perdeu um gol inacreditável em seu retorno ao clube que o revelou.
Enquanto isso, Breno Bidon, que exerce todas as funções no meio-campo e já tem multa rescisória de 100 milhões de euros, pede passagem. Não que um jovem de apenas 20 anos seja garantia de que o meio-campo da seleção, há anos sem qualidade, vá melhorar de uma vez por todas. Mas atualmente ele joga mais que Paquetá, Andreas Pereira e Gerson – que recentemente voltaram ao Brasil – e muitos do exterior que já tiveram oportunidades.
Além de Breno Bidon, Marcos Antônio do São Paulo também merece uma oportunidade.
TUDO POR DINHEIRO
Cristiano Ronaldo e Benzema, dois dos maiores astros do futebol mundial e que trocaram o futebol europeu para embarcar na Sportswashing (lavagem esportiva) – uso do esporte por governos, corporações ou indivíduos para limpar reputações manchadas, desviar a atenção de violações de direitos humanos, corrupção ou escândalos – entraram em polêmicas nos últimos dias.
O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammad Bin Salam, pode mudar o foco de suas injeções bilionárias do Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita – que controla Al-Hilal, Al-Nassr, Al-Ittihad e Al-Ahli – porque grande parte dos projetos não se mostraram prósperos, de acordo com matéria publicada pelo New York Times.
Benzema, do Al-Ittihad, recusou-se a jogar contra o Al-Fateh na última quinta-feira por ter considerado a proposta de renovação de contrato um desrespeito. Dias depois abriu negociação com o Al-Hilal, que tem negociações avançadas para sair do guarda-chuva do PIF e contar com investimento privado. O ataque ao mercado do Al-Hilal é o ponto central da revolta de Cristiano Ronaldo, que vê o Al-Nassr em desvantagem em relação ao Hilal sob a perspectiva do tratamento dado pelo PIF e pela SPL (Saudi Pro League) e não joga contra o Al-Riyadh nesta segunda-feira para cobrar um tratamento mais igualitário e, consequentemente, dar ao Al-Nassr condições de conquistar grandes títulos. Desde que chegou ao Nassr, em 2023, o astro português ainda não foi campeão de uma competição importante.
*Tárcio Cacossi, é jornalista, com MBA em Gestão e Marketing Esportivo, e comentarista da Rádio Bragança FM
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