Coluna do Marcus Valle e as licitações da Educação e Animais

*Por Marcus Valle
1 – Licitação Animais
Essa questão da licitação das empresas ou entidades que podem participar (e o que impede a Faros D’Ajuda de participar) deve ser melhor estudada pela Administração.
Sim, pois o que se visa numa licitação é a melhor qualidade e o menor custo.
Se ONGs não puderem participar da licitação, o objetivo principal poderá ser prejudicado.
Atendendo várias ponderações de protetores de animais, imprensa independente e vereadores, sobre esse assunto, inclusive da nossa coluna nas semanas anteriores a Prefeitura resolveu acertadamente prorrogar por 6 meses com a Faros o convênio. Terá tempo para melhores estudos.
2 – ITBI
Espero que a Prefeitura desista da intenção de elevar o valor do ITBI de 1,5% para 4% do valor venal.
Com os valores venais aumentados em boa parte dos imóveis na polêmica do IPTU, teríamos muitas injustiças, com reflexos nos investimentos no município, queda no mercado de imóveis, e despesas maiores às famílias no direito de sucessão, etc.
Hoje o Executivo não tem 2/3 dos vereadores para aprovar tal projeto, e o retirou.
3 – Enchentes
Chuvas fortes causaram grandes estragos no município, enchentes em vários locais, que dificultam a manutenção das ruas, estradas e locais públicos.
Medidas tomadas para evitar inundações não funcionaram (podem ter minimizado em alguns locais).
4 – Total de chuvas
Tem chovido muito em vários locais do Brasil.
Em Juiz de Fora e Ubá, tivemos 130 milímetros e 140 milímetros num só dia, e tivemos mais de 60 mortes.
Em Bragança tivemos nos dias 9 e 10 uma chuva de 110 milímetros, com muitos estragos, mas felizmente sem mortes.
No dia 25 foram 70 milímetros.
5 – Red Bull
No jogo Bragantino x São Paulo o time local jogou uma boa partida, mas perdeu. A árbitra atuou normalmente, não influindo no resultado.
Ao final do jogo, o atleta do Red Bull Gustavo Marques, nervoso e decepcionado com o resultado, deu uma entrevista desastrosa, dizendo que mulheres não deveriam apitar jogos de futebol masculino.
A diretoria do Red Bull, atenta com esses temas e a repercussão que o caso tomaria, foi rápida, repudiou a fala do atleta, e provavelmente interferiu para que ele imediatamente pedisse desculpas a árbitra no vestiário e desse uma entrevista se retratando.
6 – Casos mais graves
São muitos os casos notáveis e de grande repercussão, onde mulheres são vítimas de homicídio ou evidente discriminação. O caso de Itumbiara, do ministro do STJ que teria importunado a filha de um casal de amigos, por exemplo, embora muito mais repugnantes que os comuns no dia a dia, por incrível que pareça tem muitas pessoas (inclusive mulheres) culpando as vítimas.
Já aumentaram as penas de crimes de infanticídio, Lei Maria da Penha, injúria com racismo etc, mas os casos continuam ocorrendo, e até aumentando.
O problema é cultural e não legal.
Muita gente tem visão preconceituosa, homofóbica, racista e machista. Só fazer leis mais rigorosas não mudam essa “cultura atrasada”.
7 – Preocupação com a imagem
No caso do jogador do Bragantino que errou e demonstrou um machismo estrutural, é um rapaz de pouca cultura, e criado num ambiente com essa formação. Ele retratou-se imediatamente e pediu desculpas à árbitra pessoalmente. É claro que foram os responsáveis pela Red Bull que de forma rápida, perceberam a “besteira” que o atleta fez, e o “convenceram” a se retratar imediatamente. A Red Bull é uma empresa que se preocupa com sua imagem, e inclusive puniu o atleta.
8 – Exagero e vício
Atualmente temos muitos problemas sociais causados por excesso na internet, apostas, drogas lícitas ou ilícitas. Em muitos casos já se tornou dependência (vício) e aí se torna um problema de saúde pública.
Em relação às drogas, a mais usada é o álcool que pode gerar sérias consequências.
Campanhas educativas, tratamento, terapia são medidas necessárias, assim como o monitoramento pela família.
9 – Álcool, efeitos
Segundo pesquisas científicas, há quatro tipos de embriagados no que se refere a reações:
Aqueles que pouco alteram o comportamento: 40% .
Os que ficam agressivos, briguentos e hostis: 22%
Os que ficam desinibidos, alegres demais, fazendo micagens e chatices: 22%
Os que ficam desinibidos, mas afáveis, serenos, simpáticos e conciliadores: 16%
Embora não sejam maioria, os briguentos e chatos 44% ( 22% + 22%) são a imagem que estigmatiza os que bebem, afinal se destacam e causam mais problemas.
(Testes científicos com 180 universitários nos EUA, noticiados por vários órgãos, inclusive BBC BRASIL)
10- Educação
Conforme prevíamos, infelizmente, estão ocorrendo questões jurídicas na licitação da Educação.
A Justiça, provocada, por uma das concorrentes, na licitação, suspendeu o contrato, o que gerará sérios problemas.
JURO QUE É VERDADE
1970 ou 1971. Quinze garotos de 15 a 18 anos de idade, de Bragança, resolveram acampar em Extrema – MG.
A cidade era pequena. Eles chegaram ao local de mochilas e foram até a Pedra do Sapo, onde montaram barracas. Todo mundo viu e achou estranho.
Os garotos levaram comida, muita bebida (Cinzano, Piper e outras porcarias), e começaram a brincar de tiro ao alvo com espingardinhas de pressão, e uma cartucheira que alguém pegou do pai.
O eco dos tiros eram ouvidos na cidade.
À noite, a maioria dos garotos dormia nas barracas, bêbados, ou com sono. Apenas quatro conversavam na beira de uma fogueira.
Nisso… aconteceu um negócio que ninguém entendeu nada. Uma forte luz os iluminou e uma voz metálica (vinda de megafone) os mandou deitar ao chão, e “jogar as armas”.
Todos (os que acordaram e estavam na beira da fogueira) ficaram perplexos e paralisados pelo medo.
Eram soldados do Exército que cercaram o local, pois tinham sido avisados que um grupo de guerrilheiros, possivelmente do Capitão Lamarca, estavam acampando no local.
O oficial do Exército desceu até o acampamento (havia dado a volta por cima, para fazer o cerco) e empunhando uma arma perguntou:
– Quem é o chefe?
João Barbosa, que era o mais velho (e estava “altinho”) respondeu:
– Quem tem chefe é índio.
Imediatamente tomou um tabefe, que quase o jogou dentro da fogueira.
Os soldados viram que éramos um bando de moleques e ficaram furiosos com os policiais da cidade (eram apenas três) que os chamaram para enfrentar perigosos guerrilheiros.
Até hoje eu tiro sarro do advogado João Barbosa, que foi, por um dia, Juan Lamarca Guevara, en la Sierra de Extrema.
*Marcus Valle é advogado, professor universitário e ex-vereador.
Contato: [email protected]
A Coluna do Marcus Valle é publicada todos os sábados. Para conferir as colunas anteriores basta clicar aqui.
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