Governador não fará concessão para duplicação da Bragança/Itatiba e Bragança/Socorro

Governador não fará concessão para duplicação da Bragança/Itatiba e Bragança/Socorro
Foto: Ana Oliveira

Na manhã desta quarta-feira (8), durante visita a Bragança Paulista, o governador Tarcísio de Freitas confirmou que as rodovias Capitão Bardoíno (Bragança/Socorro) e Alkindar Monteiro Junqueira (Bragança/Itatiba) não passarão para a iniciativa privada para obras de melhorias, duplicação e gestão.

Com isso, a tão sonhada duplicação dessas vias é novamente adiada, sem qualquer previsão de execução.

Enquanto as obras não avançam, os acidentes de trânsito aumentam na Capitão Bardoíno (SP-008). Segundo dados do Infosiga, foram 24 acidentes com 4 mortes em 2024, contra 36 acidentes com 5 mortes em 2023. Na Alkindar Monteiro (SP-063), o número de acidentes caiu, mas o Governo do Estado implantou diversos radares de velocidade no trecho.

FALA GOVERNADOR!

O Governo do Estado pretendia realizar a concessão das vias da Rota Circuito das Águas à iniciativa privada, assim como fez recentemente com a Rota Mogiana. Porém, prefeitos da região, principalmente do Circuito das Águas, liderados pelo prefeito de Amparo, Carlos Alberto, mobilizaram a população e as redes sociais contra a medida, por causa da implantação de pedágios Free-Flow.

“As pessoas às vezes não entendem como é que a coisa funciona, né? Então observe: a gente fez a concessão da Rota Mogiana, né? A gente está falando aí de 9 bilhões de reais de investimento. E os pedágios que existem hoje estão caindo de preço.”, disse o governador Tarcísio.

“Então (as rodovias da região) estavam na concessão, mas a gente não vai fazer essa concessão do Circuito das Águas. A nossa ideia, então, é desenvolver o projeto de engenharia e contratar com recurso próprio essa ligação. Essa duplicação que é importante: Itatiba-Bragança, o contorno de Bragança e a ligação Bragança-Socorro”, disse em entrevista coletiva.

OBRA COM RECURSOS PRÓPRIOS

Para isso, o governador lembrou que são necessários recursos próprios do Governo do Estado via Departamento de Estradas de Rodagem (DER). “Obviamente, a gente fica mais dependente da disponibilidade de recursos do DER. A vantagem da concessão é que a gente mobiliza recurso privado e faz isso rápido, e isso vai ser remunerado pela tarifa no longo prazo. Então nós vamos, obviamente, dentro daquela lógica de estruturar o estado fiscalmente, criar o espaço para poder fazer essas duas obras que a gente sabe que são importantes”, justificou.

Questionado pela reportagem do Em Pauta se há prazo para que a obra seja feita com recursos próprios, o governador foi categórico: “Não, assim que o projeto estiver pronto e que tiver disponibilidade de recurso….”, finalizou, sem apresentar qualquer data.

ENTENDA O CASO

Depois de diversos governadores prometerem a duplicação e a obra nunca sair do papel, em 20 de fevereiro de 2025 o Em Pauta divulgou em primeira mão que o secretário estadual de Parcerias e Investimentos, Rafael Benini, esteve na Prefeitura de Bragança Paulista para anunciar que as rodovias seriam viabilizadas via concessão. Ele também visitou prefeituras de outras cidades da região para anunciar a medida.

A ideia inicial era publicar o edital ainda no primeiro semestre daquele ano e realizar as obras entre 2027 e 2030.

Em março de 2025, o Governo do Estado realizou Audiências Públicas para tratar do tema. No entanto, com o anúncio da implantação de pedágios, prefeitos da região se mobilizaram contra a concessão. Em dezembro do ano passado, questionada pelo Em Pauta, a Secretaria de Parcerias e Investimentos do Estado de São Paulo informou que a publicação do edital do projeto rodoviário Circuito das Águas ficaria para 2026. Agora, a medida foi totalmente descartada.

De acordo com o projeto inicial da concessão, na Rodovia Alkindar Monteiro Junqueira (SP-063), entre Bragança e Itatiba, haveria 33,4 km de duplicação, 8,31 km de marginais, 3 passagens em desnível, 11 em nível e 4 passarelas. O projeto previa 2 pórticos de cobrança de pedágio “Free Flow” na SP-063.

Já na Rodovia Capitão Barduíno (SP-008), entre Bragança e Socorro, o projeto previa 17 km de duplicação, 21,1 km de marginais, 14 km de terceira faixa, 6 passagens em desnível, 29 em nível e 4 passarelas. Nesta rodovia, o plano inicial incluía 4 pórticos de cobrança.

Sem dinheiro da iniciativa privada, o Governo precisará elaborar um novo projeto, sem qualquer previsão de data, e tudo volta à estaca zero.