Coluna da Vanessa Nogueira: entre a tribuna, o camaleão e o coração do país

Coluna da Vanessa Nogueira: entre a tribuna, o camaleão e o coração do país
*Por Vanessa Nogueira
O camaleão da política

Dizem que o camaleão é o animal mais adaptável da natureza — não porque muda de cor por instinto, mas porque muda de cor quando convém. Camufla-se na folhagem quando precisa passar despercebido; vira tom de areia quando o chão é refúgio; e, quando quer ser visto, exibe cores vibrantes. O curioso é que ele não muda para se proteger — muda para sobreviver. E nisso, político e camaleão se parecem perigosamente.

Na política, a adaptação é celebrada como virtude. O bom gestor dialoga, cede, negocia. Mas há uma linha entre adaptar-se por princípio e mudar de cor por conveniência. O camaleão político troca de partido, de discurso, de aliados e até de inimigos conforme a paisagem. Quando o cenário favorece, exibe as cores da conciliação, da união, do “sempre quis o melhor para a cidade”. Quando a folhagem muda, ele muda também. E o eleitor, já cansado do jogo, não sabe mais qual é a cor verdadeira.

 

Os bastidores: quando o camaleão encontra o espelho

E é falando de camaleões que chegamos ao que importa nos bastidores de Bragança Paulista.

Quem acompanha a política local há tempo sabe: duas famílias políticas dominaram o Paço Municipal por décadas, revezando-se em disputas acirradíssimas, dividindo a cidade em lados quase inconciliáveis. Uma, com jeito de gestor-empresário, três mandatos à frente da Prefeitura. A outra, com força popular, cinco passagens pela cadeira de prefeito. A cidade respirava essa divisão a cada eleição.

Rola nos bastidores, que conversas discretas vêm rolando entre os dois grupos. Nada oficial, nada declarado. Encontros casuais, telefonemas que não aparecem em agendas. Os temas? Coligação. Apoio. 2026/2028.

A pergunta que circula é simples, mas incômoda: será apenas conversa de bastidor, daquelas que nascem e morrem em mesas, ou estamos diante do desenho do que vem pela frente?

Mas 2028 já está no horizonte, e em política dois anos é uma eternidade. Se a aproximação se confirmar, terá sido a desculpa perfeita para que dois lados que se enfrentaram por décadas descubram que, debaixo das cores diferentes, a pele é a mesma. O camaleão não escolhe lado — escolhe sobreviver.

Ou pode ser que tudo não passe de ensaio. De balão de teste soltado no vento para medir a reação da cidade. Bastidor de política é assim: tem muito que vira manchete e muito que vira poeira.

Um acordo, se celebrado, não seria a primeira vez.

A semana em que a Câmara decide

Bragança chega a esta terça-feira com pauta quente na Câmara. Em regime de urgência, os vereadores votam o projeto do Executivo que limita em 30% a taxa de funcionamento cobrada das empresas locais. Matéria que mexe no bolso do comércio — e termômetro de como a Casa tratará as pautas da Prefeitura em pleno ano eleitoral.

Na segunda-feira à noite, a população teve a chance de se manifestar na 12ª audiência pública do ano. Audiências parecem burocráticas no papel, mas é ali que o cidadão percebe se está sendo ouvido de verdade ou apenas convidado a assistir.

A comoção que virou lição

O diagnóstico do influenciador Lito Souza, de 59 anos, com a doença de Creutzfeldt-Jakob — neurodegenerativa rara, sem cura, de evolução rápida — emocionou o país. Internado no Hospital Albert Einstein, enfrentando também o câncer, Lito explicou ao filho de 7 anos o “ciclo da vida”. Cena de coragem que dispensa comentários.

A comoção não pode ser passageira. Precisa virar reflexão sobre políticas públicas de saúde em todas as esferas: do município, que enfrenta filas nos pronto-atendimentos; do estado, que regula hospitais e centros de referência; e da União, que financia tratamentos caros e define a política para doenças raras. Cada gestor deveria se perguntar: o que minha gestão faz para que ninguém enfrente o impossível sozinho?

Agenda do fim de semana

O destaque regional é a 71ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, que segue até domingo (30) — a maior do país, com shows e rodeio de alto nível. Para quem prefere ficar por perto, Bragança segue com seus clássicos: pôr do sol no Lago do Taboão e boa gastronomia. Agosto pede tardes agradáveis — aproveite.

Dica de viagem: Aracaju

A sugestão da semana é Aracaju, capital de Sergipe — a mais tranquila do Nordeste, perfeita para quem quer praia sem multidão e custo mais baixo. O roteiro inclui a Orla de Atalaia, com 6 km de extensão e o famoso pôr do sol; a Croa do Goré, ilha que surge na maré baixa; e o Museu da Gente Sergipana, que conta a cultura local de forma interativa. Na mesa: caranguejo, moqueca sergipana e tapioca com coco. Voos diretos de São Paulo, pouco menos de duas horas. Três dias bastam para voltar renovado.

Boa semana a todos. Até a próxima terça!

Vanessa Nogueira

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*Vanessa Nogueira é  Bacharel em Turismo, consultora, docente, assessora regional e sua parceira na construção de uma Bragança melhor!

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