Professor de Bragança participa de programa no maior laboratório do mundo

Professor de Bragança participa de programa no maior laboratório do mundo

O CERN (Organização Europeia para a Investigação Nuclear) é o maior laboratório de física de partículas do mundo, localizado em Genebra, na Suíça, e funciona como uma cooperação científica internacional para estudar do que é feito o universo.

LABORATÓRIO DA “PARTÍCULA DE DEUS”

O CERN constrói os maiores e mais complexos instrumentos científicos do mundo — os aceleradores de partículas. É lá que está o Grande Colisor de Hádrons (LHC), considerado o maior acelerador de partículas do planeta. Foi neste laboratório que, em 2012, aconteceu o maior experimento já realizado pela ciência: a descoberta do Bóson de Higgs, conhecida popularmente como “a partícula de Deus”.

PROFESSOR DE BRAGANÇA PAULISTA NO CERN

Quem esteve em Genebra para uma temporada de estudos foi um professor de Bragança Paulista, selecionado por meio de um edital da Escola de Física CERN 2026. Fred Zenorini, autor do projeto de ensino “Física no Fusca”, professor e coordenador pedagógico da Escola Viverde, esteve no laboratório para um período de aprendizado e troca de experiências com profissionais de diversas partes do mundo.

A Escola de Professores no CERN em Língua Portuguesa tem como proposta abordar assuntos relacionados à Física de Partículas em atividades com professores do Ensino Médio, com a intenção de que esses sejam posteriormente desenvolvidos com seus alunos. O objetivo principal é capacitar docentes para que contemplem tópicos de Física de Partículas Elementares em suas aulas, usualmente considerados altamente complexos, em níveis acessíveis aos estudantes.

Laboratório

“Eu penso que, com essas formações, eu posso fazer boas transposições didáticas. Esse é um termo que usamos na educação quando eu pego um assunto complexo e consigo explicar para um aluno meu ou para um colega professor de uma forma simples, inteligível, entendível. Eu consigo fazer boas transposições didáticas para que o meu aluno tenha interesse nesse assunto, compreenda, entenda e fale: ‘Olha, nossa, eu nunca imaginei que fosse entender alguns tópicos de física moderna, de física quântica, de física de partículas'”, comentou Fred Zenorini.

Abrir o CERN aos professores de escolas brasileiras, através do programa em parceria com Portugal, e, por meio destes, aos seus alunos e às escolas em que atuam, é um dos objetivos da iniciativa. Fred Zenorini conta como pretende disseminar esse conhecimento na volta ao Brasil.

“Agora, faço isso com mais facilidade, trazendo exemplos práticos, falando sobre minhas vivências e me tornando, de fato, um difusor desse conhecimento aqui no Brasil — na nossa região, no nosso estado, na nossa comunidade. Eu pretendo realizar formação de professores para que eles também possam aplicar esse conhecimento, mesmo sem terem ido até lá, transportando-os a partir das vivências que eu compartilho agora”, disse.

“A gente conhecia a teoria, a gente lê sobre as descobertas, a gente já leu sobre os experimentos marcantes que foram feitos lá, sobre o que está sendo feito lá agora. Indo para lá, tivemos um contato direto com quem faz ciência todo dia, vendo as máquinas funcionando, como eles coletam os dados, como tratam os dados… Tudo que eu sabia à distância, pude ver in loco”, concluiu.

Portanto, a difusão da experiência vivida pelos professores que visitaram e visitarão o laboratório CERN deve ser o elemento mais importante na idealização e realização da participação do Brasil nesse evento.

Dessa forma, Fred Zenorini pretende ser um hub desse conhecimento regionalmente — seja através da rede de contatos de pessoas, professores e instituições de educação, seja pela divulgação científica na internet e, em breve, por meio de palestras, oficinas, workshops e masterclasses sobre o tema.

ALÉM DA SALA DE AULA

Além de abrigar descobertas históricas como o Bóson de Higgs, o CERN concentra hoje pesquisas de fronteira da ciência, voltadas para temas como antimatéria, matéria escura e energia escura — fenômenos que ainda desafiam a compreensão humana. A troca de experiências no laboratório foi intensa e reuniu professores e cientistas de diferentes países, incluindo Brasil, Portugal, Moçambique, Angola, Guiné-Bissau e Timor-Leste, além de especialistas vindos da Itália, França e do Leste Europeu.

Esse ambiente multicultural reforça a necessidade de repensar o ensino de ciências no Brasil e em outras partes do mundo, aproximando os alunos não apenas dos conteúdos, mas sobretudo do método científico, analisou Fred Zenorini, que destacou: “Aqui, a gente é muito preocupado em ensinar os conteúdos, quando na verdade, é muito mais importante e interessante ensinar o método científico. Fazer com que os alunos passem a pensar sobre ciência e dar capacidade de ter essa leitura de mundo com base científica e possam entender como a ciência trabalha.”

“Hoje, ser professor vai muito além de estar na sala de aula com os alunos. Envolve um processo de formação continuada. E eu, particularmente, entendo que meu papel é despertar o interesse do meu aluno, porque as informações estão em todo lugar, mas o meu papel é fazer com que ele tenha interesse por essa informação. Minha expectativa é que tudo isso me ajude a ter ainda mais ferramentas para despertar o interesse dos alunos e da sociedade pela ciência”, concluiu, em entrevista exclusiva ao Jornal Em Pauta.

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