Coluna da Vanessa Nogueira: a chance que Bragança não pode deixar escapar

*Por Vanessa Nogueira
Reta final: o Brasil em disputa e a chance que Bragança não
pode deixar escapar
Faltam menos de 20 dias para o primeiro turno das Eleições 2026. No dia 4 de outubro, mais de 158 milhões de brasileiros vão às urnas para escolher presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais — e, se necessário, voltamos no dia 25 de outubro para o segundo turno.
O país entra na reta final da campanha em clima de expectativa, tensão e uma crise institucional que não sai do noticiário. Quem pensa que as próximas três semanas serão tranquilas está enganado: serão de jogadas políticas, narrativas disputadas e muita informação — nem sempre confiável — circulando em velocidade máxima.
A semana em revista
A semana que passou teve um protagonista absoluto: o Supremo Tribunal Federal. Não por boas notícias. A Corte vive a crise mais aguda da sua história recente, e isso contamina o debate público num momento em que o eleitor deveria estar concentrado em propostas, não em brigas de toga.
No campo econômico, houve algum alívio: economistas projetam inflação abaixo de 5% no fim do ano e um possível corte de juros ainda nesta semana — sinal de que a economia dá sinais de respiro, ainda que tímidos. Na eleição presidencial, a disputa segue acirrada, e cientistas políticos apontam o Sudeste como o fiel da balança: é no Sudeste que se concentra quase metade do eleitorado do país. Ou seja, a eleição se decide onde vive a maioria — e Bragança Paulista, com seus mais de 130 mil eleitores aptos, faz parte dessa conta.
O olhar crítico que esta coluna se propõe a manter: enquanto o noticiário nacional se ocupa de crises e embates de cúpula, o cidadão comum acompanha de longe, desconfiado. E tem razão de desconfiar. O que se vê nas próximas semanas exigirá do eleitor mais do que nunca: paciência, senso crítico e disposição para checar antes de acreditar.
STF: a crise que não sai de cena
O resumo do que aconteceu na semana: o plenário do STF cancelou sessões de julgamento duas vezes, em meio à escalada da tensão entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O pano de fundo é o relatório da Polícia Federal que apontou uma suposta relação entre Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, no caso que envolve o Banco Master. O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, convocou uma sessão extraordinária para esta terça-feira (15), às 10h, justamente para discutir o tema.
A gravidade do momento foi registrada por quem conhece a casa: 13 ex-ministros do STF divulgaram carta a Fachin falando em “mais aguda crise” e cobrando “imediata e rigorosa apuração”. Fachin respondeu que “a gravidade dos fatos não autoriza atalhos” e que a resposta do Judiciário será dada dentro da legalidade. Para completar, o jornal britânico Financial Times publicou no domingo (13) que a crise pode ter impacto decisivo na eleição brasileira.
O olhar crítico aqui é inevitável: uma crise institucional dessa magnitude em plena campanha é combustível para todo tipo de narrativa. Cada lado tentará usar o STF a seu favor — uns para atacar, outros para defender. O eleitor precisa separar fato de versão, e isso nunca foi tão difícil quanto agora.
Pernambuco: o espelho de uma disputa acirrada
Se alguém quer um exemplo do que significa uma eleição disputada no limite, basta olhar para Pernambuco. A campanha ao governo do estado é o retrato de como a eleição julga uma vida pública inteira de trabalho — e de como os mesmos fatos geram narrativas opostas.
A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (11), aponta Raquel Lyra (PSD) com 47% contra 42% de João Campos (PSB) — empate técnico no primeiro turno. Outros institutos oscilam: uma pesquisa Badra chegou a mostrar João Campos oito pontos à frente; a Quaest apontou empate técnico em um eventual segundo turno. Ou seja: cada dia, cada pesquisa, cada debate muda o jogo.
E os embates são duros. No primeiro debate entre os candidatos, em Caruaru, houve troca de acusações diretas. João Campos acusou o governo de coordenar uma “milícia digital” contra adversários; a gestão nega. No sábado (12), o TRE-PE liberou conteúdo da campanha de João Campos que questiona a remuneração da governadora — que rebate dizendo que o salário está “dentro da lei”. Para completar, a campanha pernambucana já viu até cartazes apócrifos circularem, exigindo resposta da Justiça Eleitoral.
Pois bem: é exatamente isso que espera o eleitor brasileiro nas próximas três semanas — diferentes narrativas sobre o mesmo fato, cada uma a serviço de um lado. A pergunta que fica é: de quem é a versão que resiste à checagem?
Enquanto isso, a chuva que não para
Mas nem só de eleição vive esta semana — e aqui em casa o céu anda carregado. Bragança Paulista recebeu 74,4 mm de chuva em apenas 24 horas, entre a manhã de quinta-feira (10) e a de sexta (11). Em três dias, o acumulado chegou a 96 mm. A Defesa Civil mantém monitoramento constante, inclusive do nível dos rios, e o Comitê de Mudanças Climáticas está em alerta. Não houve registro de vítimas — graças a Deus —, mas o sinal de atenção está ligado.
E a previsão não anima: o INMET indica chuva acima da média histórica no Sudeste durante todo o mês de setembro, influenciada pela passagem de ciclones extratropicais. A capital paulista, por exemplo, pode registrar até 150 mm em poucos dias. Ou seja: a chuva que não para é assunto sério, e cuidado nunca é demais.
Algumas orientações práticas para o leitor: não atravesse ruas alagadas — nem a pé, nem de carro; evite áreas de risco e margens de rios em momentos de temporal; mantenha calhas e ralos limpos; e, acima de tudo, siga os alertas oficiais da Defesa Civil no celular. Em época de eleição, a gente se preocupa com o que sai das urnas; mas é bom lembrar que a natureza também vota — e, quando ela vota, não tem narrativa que segure.
Menos de 20 dias: prepare-se para as jogadas
Faltam exatamente 20 dias para o primeiro turno, no dia 4 de outubro — menos de três semanas. Este colunista não tem dúvida: a reta final será de jogadas políticas pesadas. As campanhas escalam o tom quando o tempo aperta — ataques, acusações, factoides e, principalmente, desinformação.
O TSE criou regras específicas para o uso de inteligência artificial e disparos em massa nas eleições de 2026, sinal claro de que o problema existe e é real. Deepfakes, montagens e “cartazes apócrifos” não são mais teoria — são prática comprovada nesta campanha.
O conselho vale como alerta geral: desconfie do que chega pronto para indignar. Cheque a fonte, compare versões, leia antes de compartilhar. A narrativa mais rápida nem sempre é a verdadeira — e numa eleição, quem acredita em tudo que vê, vira instrumento de alguém.
*Bragança e região: a chance real de eleger um deputado estadual*
E é aqui que a pauta chega em casa. Bragança Paulista terá 130.989 eleitores aptos a votar e é o município que concentra cinco candidatos a deputado estadual disputando uma vaga na Assembleia Legislativa. Cinco nomes da nossa região — mais os candidatos das cidades vizinhas — correndo pelo mesmo objetivo.
A matemática eleitoral é cruel e simples ao mesmo tempo: para eleger um deputado estadual, um candidato precisa de uma votação expressiva, construída sobre votos concentrados. Se os eleitores de Bragança e região direcionarem o voto para um único nome, a força do nosso eleitorado pode ser suficiente para garantir uma cadeira na Alesp — alguém que conheça a nossa realidade, que batalhe pelos nossos municípios e tenha mandato para isso.
Mas se o voto se fragmentar entre as várias candidaturas, o resultado será previsível e doloroso: todos ficam de fora, e a oportunidade escorre pelos dedos. E não nos enganemos — a próxima chance só virá em 2030. Quatro anos são uma eternidade quando a pauta da região fica sem representante.
Os candidatos têm tido espaço nas páginas deste jornal para apresentar propostas — acompanhe, compare, exija. Mas não esqueça o ponto essencial: voto útil na nossa região não é voto de cabresto, é estratégia coletiva. É a diferença entre ter um deputado estadual que nos represente de verdade e assistir, de braços cruzados, a mais um ciclo passando sem ninguém por nós na Alesp.
Dica cultural: um thriller brasileiro no topo das listas
Para quem quer uma boa leitura nesta reta final de campanha — e uma pausa da overdose de política —, a dica da semana é “A Estranha na Cama”, de Raphael Montes, que lidera a lista de ficção mais vendida do país. O autor carioca, conhecido por “Suicidas” e “Dias Perfeitos”, é um dos grandes nomes do suspense nacional, e o novo livro promete o mesmo ritmo de tirar o fôlego. Se o seu gosto for outro, vale registrar também o fenômeno “Verity”, de Colleen Hoover, que segue firme entre os mais vendidos do ano. Livro bom é companhia certa para as noites de chuva que estão por vir.
Dica de viagem: João Pessoa, o sol que espera por você
E se a chuva anda insistindo por aqui, que tal um destino onde o sol é a regra? A dica de viagem da semana é João Pessoa, na Paraíba. Segundo o INMET, setembro tem chuva abaixo da média no Nordeste, com o interior seco e umidade baixa — e João Pessoa vive justamente agora o seu período mais seco do ano, que vai de setembro a dezembro. É a época ideal para curtir as praias urbanas, a famosa Ponta do Seixas — o ponto mais oriental das Américas — e o pôr do sol no Jacaré, ao som do Bolero de Ravel. Temperatura agradável, mar quente e a chance de voltar com o bronzeado — e sem guarda-chuva na mala.
A conta é simples: na eleição, cada voto é uma vida de trabalho sendo julgada. Que o eleitor de Bragança e região julgue com critério, vote com consciência — e, principalmente, vote certo para a nossa gente.
*Vanessa Nogueira*
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📱 @VanessaNogueiraBP
*Vanessa Nogueira é Bacharel em Turismo, consultora, docente, assessora regional e sua parceira na construção de uma Bragança melhor!
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