Bancada Feminista acusa Edmir Chedid de violência de gênero

Um episódio ocorrido na última semana, envolvendo o prefeito de Bragança Paulista, Edmir Chedid, e uma moradora, durante a reunião comunitária denominada “Governo Social”, gerou desdobramentos políticos, inclusive na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, onde Chedid atuou como deputado estadual por mais de 30 anos.
Conforme divulgado pelo Em Pauta, na última quarta-feira (9), durante o encontro na Escola Municipal Padre Donato Vaglio, no Jardim Morumbi, Edmir Chedid se desentendeu e bateu boca com uma moradora.
NOTA DA BANCADA FEMINISTA
A Bancada Feminista do PSOL na Alesp, por meio da deputada estadual Paula Nunes, classificou o episódio como violência de gênero, conforme nota enviada ao Em Pauta.
“A Bancada Feminista do PSOL — mandato coletivo de mulheres da Assembleia Legislativa de São Paulo, vem a público manifestar sua profunda indignação diante do episódio de violência de gênero envolvendo o prefeito de Bragança Paulista, Edmir Chedid”, inicia o documento.
Na sequência, a Bancada Feminista contextualiza que “a violência de gênero é uma expressão da cultura machista que ainda estrutura a sociedade brasileira e se manifesta de forma especialmente grave quando parte de autoridades públicas, que deveriam zelar pelo respeito, pela dignidade e pela proteção de todas as mulheres, ao agir com gritos, e exposição indevida da cidadã … não apenas atinge diretamente a vítima, mas também ataca todas as mulheres e desrespeita o princípio fundamental de igualdade de direitos”.
“Nosso mandato sempre esteve e seguirá ao lado das mulheres na luta contra todas as formas de opressão, assédio e violência. É inadmissível que representantes eleitos usem de sua posição de poder para reproduzir práticas violentas que reforçam desigualdades históricas”, diz trecho do documento.
Por fim, a Bancada Feminista e a deputada estadual Paula Nunes exigem a apuração imediata do caso pela Câmara Municipal de Bragança Paulista; a garantia de proteção à vítima, com acolhimento e suporte necessários; e o compromisso público das instituições municipais e estaduais no combate à violência de gênero, com políticas efetivas de prevenção, educação e punição.
“Nossa luta é por uma sociedade feminista, justa e igualitária, em que nenhuma mulher seja vítima de abuso, assédio ou agressão – ainda mais por parte de quem deveria representar o povo”, conclui a deputada Paula Nunes.
OUTRO LADO | EDMIR CHEDID
Por meio de nota ao Em Pauta, a Secretaria de Comunicação (SECOM) do Governo Edmir Chedid se posicionou sobre o caso da seguinte forma:
“O Gabinete do Prefeito reitera que respeita todas as manifestações, pedidos e sugestões realizados pela população dentro ou fora das reuniões comunitárias e preza pelo diálogo, reconhecendo tom de voz inadequado durante a conversa com a moradora citada e pede desculpas aos demais presentes na noite. Por sua vez, a moradora também adotou tom de voz inadequado, inclusive com uso de palavras de baixo calão.
É importante ressaltar que todos os inscritos tiveram o tempo de fala previsto, sem qualquer interrupção. Situações isoladas não representam o intuito desses encontros. Ainda na mesma noite, o Prefeito e a moradora conversaram sobre o ocorrido, sem prejuízo ao entendimento de ambos.
As secretarias da Prefeitura já atendem a moradora e os demais participantes da reunião, como ocorre no dia seguinte a todas as reuniões comunitárias, independentemente do bairro. A Prefeitura reforça que as reuniões do Governo Social continuam em todas as regiões de Bragança Paulista e reafirma o compromisso com o diálogo aberto e transparente com a população”.
Caso o prefeito Edmir Chedid queria se manifestar sobre a nota da Bancada Feminista, o espaço do Em Pauta encontra-se aberto.
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