Bragança Paulista tem dois cafés premiados entre os 50 melhores de São Paulo

Produções da Fazenda Boa Esperança colocam Bragança entre os destaques da cafeicultura paulista
Bragança Paulista está no centro das atenções do setor cafeeiro paulista. Dois cafés produzidos na Fazenda Boa Esperança, localizada no bairro da Bocaina, figuraram entre os 50 melhores do estado no 24º Concurso Estadual Qualidade do Café de São Paulo, promovido pelo Governo do Estado.
O concurso, considerado um dos mais importantes da cafeicultura brasileira, bateu recorde de participação: foram cerca de 400 amostras inscritas, vindas de 77 municípios, nas espécies arábica e canephora.
A competição avaliou cinco categorias: arábica natural, arábica cereja descascado, arábica fermentado, arábica orgânico e canephora. Assim, reuniu pesquisadores, especialistas, lideranças do setor, cooperativas e autoridades.
CAFÉS PREMIADOS
A Fazenda Boa Esperança conquistou 3º lugar na categoria arábica cereja descascado (com o produtor Luis Eduardo dos Santos) e 5º lugar (com o produtor José Adil Braggion) na categoria via seca, reforçando a consistência da produção bragantina.
Ricardo Rufino Jr., que é responsável pelo café torrado da fazenda, celebrou o reconhecimento e explicou os fatores que fazem a propriedade se destacar ano após ano. “Os produtores são da Fazenda Boa Esperança, aqui em Bragança. O nosso café de via úmida ficou em terceiro lugar e o de via seca ficou em quinto. Para nós é uma alegria imensa, porque mostra que estamos na direção certa. Estar entre os melhores cafés do estado é sempre gratificante”, comemorou.
Segundo ele, o segredo está na combinação entre natureza favorável e dedicação minuciosa “o que torna o nosso café tão especial é o nosso terroir. A localização da fazenda, o solo, o microclima e a altitude acima de mil metros fazem uma diferença enorme na qualidade da bebida. Mas nada disso adianta sem cuidado. A gente tem um trabalho muito forte no pós-colheita, e principalmente na colheita seletiva, sempre buscando os frutos maduros. Isso melhora muito o resultado final”.
Ricardo destaca que o reconhecimento não é novidade para a propriedade — mas isso não diminui a emoção “não é a primeira vez que estamos entre os melhores. Em 2023, ganhamos o primeiro lugar. Em 2024, não participamos, mas sempre figuramos entre os melhores cafés do Brasil há algum tempo. Cada conquista tem um sabor especial”.
FOCO NA QUALIDADE
Ele também reforça que, apesar da alta performance, o manejo é simples e focado na qualidade “não teve nenhuma técnica extraordinária. É o básico feito com cuidado: colheita seletiva, atenção ao ponto ideal do fruto e muito zelo no processamento. Às vezes, o simples, quando bem feito, é o que realmente transforma o café”.
Os cafés premiados integram a linha especial da marca própria da fazenda, a Aromas de Bragança, criada justamente para aproximar o consumidor final de produtos de alta pontuação “a gente já trabalha com cafés acima de 85 pontos na nossa marca. A ideia é transformar os cafés de concurso em cafés torrados acessíveis ao público, sempre mantendo a qualidade. O prêmio reforça a credibilidade da Aromas de Bragança e traz mais visibilidade para todo o trabalho. Já existe viabilidade, mas cada reconhecimento abre novas portas”.
BRAGANÇA É DESTAQUE
Ricardo destaca que o prêmio impacta diretamente na valorização do café local “quando você leva Bragança Paulista para uma premiação estadual e volta com dois cafés entre os melhores, isso movimenta toda a cadeia. Incentiva outros produtores, dá destaque para a região e mostra que temos potencial para alcançar mercados maiores”.
Nesta edição, o Governo do Estado também apresentou o Selo Agro SP Café, um distintivo oficial de excelência que será atribuído aos cafés vencedores. O selo moderniza normas antigas, atualiza critérios técnicos e será a base para a futura certificação de produtos agrícolas paulistas.
O objetivo é ajudar os produtores a ganharem mais competitividade, fortalecer a rastreabilidade e agregar valor às exportações e às vendas internas de cafés especiais.
O concurso aconteceu em um momento de forte desempenho da cafeicultura paulista. São Paulo é atualmente o 3º maior produtor de café do Brasil, com estimativa de 4,4 milhões de sacas na safra 2024/25. A região tem investido em pós-colheita, fermentação controlada e práticas sustentáveis.
Com dois cafés entre os mais bem avaliados do estado, Bragança Paulista reafirma sua vocação para cafés especiais. A qualidade da produção local, aliada ao trabalho técnico e à tradição da Fazenda Boa Esperança, coloca o município definitivamente no mapa dos cafés de excelência do estado.





