CNBB escolhe padre que faz trabalho em Bragança para promover diálogo inter-religioso

O Padre José Antonio Boareto, professor de Teologia e membro do Observatório da PUC-Campinas, foi convidado pela Comissão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para integrar o GREDIRE – Grupo de Reflexão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso, em âmbito nacional.
O padre atua em Bragança Paulista, como assessor para a Dimensão do Ecumenismo e Diálogo inter-religioso da Diocese de Bragança Paulista. Ele, aliás, participou recentemente da organização da 1ª Lavagem da Escadaria da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, a tradicional igreja do rosário. O evento foi promovido em conjunto pela ABUC (Associação Bragantina de Umbanda e Candomblé), o Grupo Inter-religioso de Bragança Paulista e a Diocese.
GREDIRE DA CNBB
Segundo informações da PUC-Campinas, o GREDIRE é formado por teólogos, pesquisadores, bispos e outras lideranças religiosas que colaboram com a CNBB na reflexão sobre o papel da Igreja diante do pluralismo religioso brasileiro e das ações voltadas à promoção do bem comum, da paz e da liberdade de crença.
O Padre Boareto destacou a importância de contribuir com o grupo. Segundo ele, é importante aprofundar a reflexão sobre o desenvolvimento humano integral, “considerando que salvaguardar a dignidade humana também é garantir o direito à liberdade religiosa”.
“Temos uma realidade de racismo a ser enfrentada. É preciso refletir teologicamente sobre isso, compreendendo que a intolerância religiosa é na verdade racismo religioso”, afirmou.
FRUTO DO TRABALHO EM BRAGANÇA
Em entrevista exclusiva ao Em Pauta, o padre Boareto ressaltou que o convite da CNBB também é fruto do trabalho desenvolvido em Bragança Paulista. ” Acredito que o convite é fruto, sim, do trabalho desenvolvido na Diocese de Bragança Paulista e também com o Grupo inter-religioso onde aprofundamos por meio dos estudos um melhor conhecimento sobre cada uma das religiões e por meio da proximidade entre nós um processo educativo junto às comunidades religiosas, escolas e universidades, de conscientização à respeito do diálogo inter-religioso em vista de garantir o direito à liberdade religiosa.”, disse.
Para ele, o diálogo entre as religiões é missão da Igreja Católica. “Conforme lemos no número 2 da Declaração Nostra Aetate sobre a relação da Igreja católica com as religiões não cristãs A Igreja Católica nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia, refletem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens”, ressalta.
“Eu espero colaborar contribuindo com o grupo através dos estudos que tenho feito a partir da escuta que realizo junto à Comissão Diocesana para o Ecumenismo e Diálogo inter-religioso e o Grupo Inter-religioso que tem me ajudado a compreender que precisamos refletir teologicamente a intolerância religiosa como racismo religioso, pois o racismo não foi superado em nossa sociedade brasileira e também há necessidade de pensar sobre a construção de uma proposta de espiritualidade sensível-libertadora que ajude a crentes, em particular, os cristãos, e a não-crentes a compreenderem a necessidade de “respirar” hoje sendo sensível e libertador, em outras palavras, empáticos e
solidários, não indiferentes ao clamor dos pobres, da terra, e considerando, o contexto brasileiro em seu espectro religioso, não desconsiderar a opressão histórica que ainda experimentam os povos originários do Brasil”, acrescentou.
O escolhido pela CNBB, aliás, enaltece o trabalho do bispo diocesano nesta jornada. “Nada disso seria possível sem a lucidez e o apoio de Dom Sérgio Aparecido Colombo, nosso bispo diocesano, que não só compreende o que foi o Concílio, mas vive-o a partir do seu ensinamento mais profundo como ensinava São Paulo VI, uma Igreja que quer ser samaritana, que aprende do bom samaritano a se fazer próxima e agir com misericórdia”, disse.

Para ele, a “atitude samaritana de se fazer próximo das outras religiões, é um modo concreto de viver a fé cristã enquanto somos chamados a amar uns aos outros como Cristo nos amou, e contribuir para que vivamos entre nós a fraternidade através de uma amizade social, como ensinava o Papa Francisco, fundada no respeito ao direito humano fundamental de cada pessoa, e entre estes direitos, está o direito à liberdade religiosa”, disse.
“Aos cristãos cabe não rejeitar nada que há de verdadeiro e santo nas outras religiões e sim com prudência e caridade, diálogo e colaboração com as outras religiões, dando testemunho da vida e fé cristãs, reconhecer, conservar, promover os bens espirituais e morais e os valores socioculturais que entre eles se encontram”, acrescenta.
“Acredito que este é o desafio dos cristãos, mas não só, de todos nós, pois dizia o Papa Bento XVI: o desafio do século XXI é vivermos unidos convivendo com as diferenças. Conto com as suas orações para que eu possa colaborar com este serviço da Igreja”, finaliza.
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