Coluna da Vanessa Nogueira e o Maio Cultural

*Por Vanessa Nogueira
Maio Cultural: entre a tradição e os desafios administrativos
É com grande satisfação que vemos o Maio Cultural retornar ao calendário municipal de Bragança Paulista, um evento que, desde meados dos anos 40, iniciado pela Sociedade Sinfonia, se tornou um marco em nossa cidade. Mais do que uma celebração artística, o Maio Cultural é um aquecimento para o tão esperado Festival de Inverno, que, esperamos, também retorne com força total.
No entanto, nem tudo são flores no cenário cultural bragantino. O chamamento público para o cadastro de artesãos, uma iniciativa louvável e necessária para o Maio Cultural, foi lançado de forma administrativamente equivocada. Após um ano e cinco meses de gestão, a administração municipal ainda comete deslizes em questões administrativas básicas. Não se trata mais de um erro isolado, mas de uma falha recorrente que exige correção urgente. Para ilustrar a gravidade da situação, o chamamento foi publicado nas redes sociais em 11/05, com o evento já em andamento. A Lei é clara quanto ao credenciamento, que é o modelo mais adequado para artesãos e artistas, exigindo um prazo mínimo de 15 dias úteis para a abertura do edital, garantindo assim a participação e organização dos interessados. A falta de planejamento e a pressa na execução comprometem a transparência e a eficácia de uma ação que deveria ser exemplar.
Tirando as falhas administrativas aproveitem a programação e enalteçam nossos artistas 🙂
Lei Aldir Blanc: incoerências que prejudicam a cultura local
Ainda no campo da legalidade e da administração, a Lei Aldir Blanc, tão vital para o fomento cultural em todo o país, tem gerado polêmica em Bragança. A lei prevê a participação maciça da sociedade civil na elaboração dos editais, visando valorizar e fomentar a cultura local.
Contudo, o edital publicado em Bragança Paulista, após uma longa espera, apresenta uma incoerência gritante: produtores culturais de outras cidades podem participar do edital local, (primeira incoerência) desde que comprovem vínculo de trabalho de no mínimo seis meses com a cidade.
Em contrapartida, um produtor nascido e residente em Bragança precisa comprovar dois anos de vínculo. Essa disparidade é inaceitável. A Lei Aldir Blanc foi criada para fortalecer a cultura de cada município, e não para privilegiar “outros municípios” em detrimento dos talentos locais. A ideia de um “dono da festa do peão” comprovando seu trabalho com a cultura local e ganhando um edital de shows (é um exemplo fictício), mas que ilustra perfeitamente a incoerência dessa regra. O item 3.5 do edital precisa ser revisto urgentemente para que nossos artistas e produtores culturais sejam devidamente valorizados.
Infraestrutura urbana: bancos da Praça Poesia e Monumento do COVID
Por fim, mas não menos importante, a população de Bragança Paulista aguarda ansiosamente por respostas sobre a infraestrutura urbana. Alguém já tem notícias sobre a devolução dos bancos livros da Praça da Poesia? E o monumento do COVID no bairro do Lavapés, tão significativo para a memória coletiva da cidade, já tem previsão de restauro? São questões que, embora pareçam menores, impactam diretamente o dia a dia e o bem-estar dos bragantinos. A cultura e a memória de uma cidade também se constroem com a atenção aos detalhes e o cuidado com o espaço público.
Câmara Municipal: destruição de arquivos permanentes – Digitalização garantida?
Outro ponto que merece a atenção dos bragantinos é a votação em segundo turno, na Câmara Municipal, do projeto de lei que autoriza a destruição de arquivos permanentes da prefeitura. A pergunta que não quer calar é: esses documentos já estão devidamente digitalizados? A preservação da memória e da história de nossa cidade é fundamental, e a digitalização é um passo crucial para garantir que informações valiosas não se percam. É imperativo que a Câmara e a prefeitura assegurem que todos os arquivos sejam digitalizados com segurança e acessibilidade antes de qualquer medida de destruição, garantindo a transparência e o acesso à informação para as futuras gerações.
Dica de viagem: Campos do Jordão, um refúgio no frio
Para quem busca um respiro da rotina e um cenário diferente, a dica de viagem desta semana é Campos do Jordão. Longe da alta temporada, a cidade se revela um refúgio perfeito para um final de semana. Com o friozinho que já começa a aparecer, é o convite ideal para desfrutar de um bom vinho, da gastronomia local e, principalmente, do silêncio e da tranquilidade que a serra oferece. Uma pausa merecida para recarregar as energias e apreciar as belezas naturais do nosso estado.
Até a próxima semana, com mais análises e reflexões sobre o que acontece em nossa Bragança e região!
Com carinho,
Vanessa Nogueira
*Vanessa Nogueira é Bacharel em Turismo, ex secretária de cultura e turismo, consultora, docente, assessora regional-SETUR e sua parceira na construção de uma Bragança melhor!
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