Coluna do Tárcio Cacossi: Red Bull Bragantino sem asas

*Por Tárcio Cacossi
Sem asas
“Dar asas a pessoas e ideias” é o slogan da Red Bull, que serve como um ponto focal para todas as suas ações de marketing, que incluem o patrocínio de esportes e a promoção de projetos inovadores. Desde que a empresa assumiu o Bragantino, deixou claro através de seus dirigentes que, independentemente dos resultados, as equipes deveriam apresentar elementos táticos e estratégicos como intensidade na criação de jogadas e agressividade na marcação (no sentido da atitude de buscar a bola e atacar de forma decisiva). No entanto, atualmente, no Brasileirão deste ano, a exemplo do que já aconteceu em 2024, não se vê absolutamente nada dentro de campo que convirja com essas premissas de jogo.
Ousadia, criatividade, superação, atitude, e acima de tudo, energia, desde julho, quando as competições retomaram após a pausa da Copa do Mundo de Clubes, não estão presentes na equipe de Fernando Seabra, salvo alguns raros minutos, que não são suficientes, pois os jogos têm 90 minutos ou mais.
Com isso, em 19 jogos, sendo 17 pelo Brasileirão e dois pela Copa do Brasil, o time obteve apenas três vitórias, duas delas auxiliado pela arbitragem, com pênaltis equivocadamente marcados a seu favor contra Corinthians e Grêmio. A única vitória com méritos foi diante do Fluminense, por 4 a 2, em Bragança Paulista.
Se no futebol existe a máxima de “crescer na hora certa”, como tem acontecido com o Vasco, próximo adversário da equipe no domingo, 26, em Bragança Paulista, que faz a terceira melhor campanha do segundo turno (atrás somente de Palmeiras e Flamengo, líder e vice-líder) e avança rumo à Libertadores, também há a de “cair na hora errada”, como vem acontecendo com o Bragantino, numa posição inversamente proporcional à do seu próximo adversário, à frente apenas de Sport e Atlético-MG no segundo turno.
Na classificação geral, o time permanece em 10º lugar, com 36 pontos, e ainda com chances de vaga na Libertadores, mas apenas cinco à frente do Vitória, primeiro colocado na zona de rebaixamento. As probabilidades de rebaixamento ainda são pequenas, apenas de 4,7%, segundo o Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que realiza um trabalho estatístico voltado ao futebol. Mas a sensação é que, enquanto as equipes que vêm logo abaixo, estão subindo a ladeira, ainda que aos trancos e barrancos, o Bragantino vai rolando, como se estivesse desacordado.
E o reflexo desse cenário é perceptível dentro de campo. Não que falte caráter ou comprometimento de jogadores e comissão técnica. Mas é uma equipe acéfala dentro de campo e sem personalidade. Contra o Palmeiras, depois de levar o segundo gol, o time desmoronou e levou uma goleada histórica. Diante do Juventude, o time não ameaçou um dos mais frágeis adversários um minuto sequer. A comissão técnica não encontra ousadia e criatividade suficientes para reverter a situação e, sem confiança, os jogadores ficam perdidos dentro de campo sem ter quem os conduza ou auxilie aos melhores caminhos dentro de cada partida.
A situação vai se tornando uma bola de neve incontornável e a cobrança é necessária não só à comissão técnica e aos jogadores, mas ao diretor esportivo Diego Cerri, que está à frente do futebol, e vai se tornando o principal responsável por esse momento de inércia do clube.
Pensar em permanecer nessa leniência ou, o que seria pior, considerar apenas escapar do rebaixamento é muito pouco perto do que a equipe já apresentou neste ano. A temporada é frustrante e só seria salva se houvesse uma arrancada nos últimos nove jogos que ainda restam.
Para isso é preciso tentar um fato novo. Contratar novos jogadores não é mais possível. Técnico sim.
*Tárcio Cacossi, é jornalista, com MBA em Gestão e Marketing Esportivo, e comentarista da Rádio Bragança FM
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