Coluna Vanessa Nogueira: O Festival da Decepção em Bragança Paulista

Coluna Vanessa Nogueira: O Festival da Decepção em Bragança Paulista

*Por Vanessa Nogueira

Olá, queridos leitores e leitoras do Bragança em Pauta! Sejam bem-vindos à nossa coluna semanal, onde a gente tenta desvendar os mistérios da política com uma pitada de alegria, seriedade e aquele sarcasmo que, convenhamos, virou quase um escudo em Bragança. Afinal, rir para não chorar é a nossa terapia diária, não é mesmo?

🏛️A Política em Bragança: entre veto e voto (e a Cultura que se vira)

A última semana em Bragança Paulista foi um prato cheio para quem gosta de política (e para quem não gosta, mas é obrigado a conviver com ela). A Câmara Municipal esteve em destaque, com discussões e votações que impactam diretamente o nosso dia a dia. Tem vereador que quer vale-transporte para atleta, outros aprovando isenção de taxa de iluminação para inscritos no CadÚnico. Fiquem de olho, porque o cenário político promete esquentar! Mas, enquanto isso, a cultura, essa sim, parece que está no congelador. 🧊

🗓️ Programação Festival de Inverno 2025

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…… Fim da Programação.

🥶 O “Festival” de Inverno 2025: A arte de desaparecer com a tradição

E por falar em congelador, vamos ao que realmente nos interessa e nos causa um nó na garganta: o nosso tão amado Festival de Inverno. Bragança Paulista, que sempre se orgulhou de seus eventos culturais, nos deu um banho de água fria. O tradicional Festival de Inverno, que por mais de duas décadas foi a vitrine da nossa cultura, o palco para nossos artistas locais e um motor para o turismo, simplesmente… não vai acontecer. 🔥

A Prefeitura de Bragança Paulista, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, anunciou um “Festival de Inverno 2025” que, com todo o respeito, é uma pálida sombra do que Bragança e a região bragantina esperam e merecem. O que nos foi apresentado para julho de 2025 é um evento que mal arranha a superfície da grandiosidade que o Festival de Inverno sempre representou. Então não vamos aqui considerar esse calendário em 2025.

📝Lembram-se do Festival de Inverno dos últimos anos?

Era um festival de verdade! Com uma programação vasta, que abraçava todas as modalidades culturais: música, teatro, dança, artes visuais, literatura, oficinas, folclore. Nossos artistas locais tinham espaço, a cidade respirava arte, o comércio local fervilhava. Éramos exemplo para as cidades vizinhas, um polo cultural que atraía turistas e valorizava nossa gente. Em 2025, somos o exemplo do descaso. Onde estão as mais de 100 atrações que marcavam o mês de julho? Onde está a diversidade que transformava Bragança em um caldeirão cultural? Sumiram. Desapareceram como fumaça. 💨

Cultura e Turismo: um balanço dos primeiros seis meses (ou o desmonte silencioso)

Agora, vamos à reflexão dos últimos seis meses da atual gestão municipal, com foco na pasta de Cultura e Turismo. E aqui, meus amigos, eu posso falar com 100% de propriedade, e com uma dose extra de indignação.

  •  Janeiro: O Festival de Verão, não rolou.
  • Fevereiro: O Carnaval. Ah, o Carnaval! Com uma estrutura física que deixou a desejar, só aconteceu porque as escolas de samba fizeram milagre, movidas pelo amor à cultura popular. A verba foi repassada para a LIESB (Liga Independente das Escolas de Samba de Bragança), que deu conta do recado. Mas, convenhamos, não é da competência da LIESB cuidar da estrutura, e sim da parte artística. Muita coisa ainda será julgada pelo Tribunal de Contas e Ministério Público, podendo comprometer os próximos carnavais. Um verdadeiro samba do crioulo doido administrativo, onde a paixão dos sambistas salvou a pátria!
    • Maio: O Maio Cultural, que iniciou na cidade com a Orquestra Sinfônica e foi criando um formato próprio ao longo dos anos, só foi realizado porque temos uma lei de fomento à cultura federal, a Lei Aldir Blanc. A maioria das apresentações foi inserida no calendário graças a ela. Ou seja, o Maio Cultural foi salvo pelos artistas locais, que, com seu talento e resiliência, não deixaram a peteca cair. Mais uma vez, a iniciativa e o esforço da classe artística suprindo a inação do poder público.
    • Julho: O Festival de Inverno, com mais de 20 anos e uma agenda diversa, foi, na prática, extinto em sua essência. O que nos foi apresentado é um arremedo, uma tentativa de maquiar a falta de interesse e planejamento. É um tapa na cara da nossa história e da nossa identidade cultural.

Este é o resumo dos primeiros seis meses da atual administração. Falta de competência? Talvez. Mas eu ainda acredito que, mais do que falta de competência, é uma forma de acabar com  tradição, talvez até mesmo milimetricamente pensado. Não há interesse público em fazer o turismo e a cultura acontecer de verdade. Mais do que discurso, está aí o exemplo. Um exemplo triste, que nos faz questionar o futuro da nossa cultura.

“Tudo o que você faz hoje será a história que você contará amanhã.”

Poderia ficar aqui escrevendo o antes e o agora, falando de mais de 700 atividades culturais (só no festival de inverno) realizadas nos últimos anos, da efervescência que Bragança já teve, mas em nada vai adiantar se não agirmos. O mais importante nesse momento é não aceitar e não deixar a nossa história morrer. A cultura é a alma de um povo, e Bragança Paulista tem uma alma vibrante que merece ser valorizada e respeitada!

E antes de me despedir … parafraseando uma canção que ecoa em nossos corações, antes que a cortina se feche de vez, deixo um apelo aos artistas mais novos, aos produtores culturais, aos amantes da nossa cidade: ”Não deixe a tradição e a arte morrer!” Que a nossa voz, a nossa indignação e a nossa paixão pela cultura sejam o grito que ecoa e que não permite que a nossa história seja apagada.

Até a próxima terça-feira, com mais reflexões e, quem sabe, menos decepções. Mas, por enquanto, a gente segue na luta para que a nossa arte não seja apenas uma nota de rodapé na história.

Até a próxima semana!

Um beijo,
Vanessa Nogueira

Quer sugerir pauta? Quer desabafar? Quer elogiar? Estou aqui!

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*Vanessa Nogueira é Bacharel em Turismo, consultora, docente e sua parceira na construção de uma Bragança melhor.