EDITORIAL: A democracia não admite silêncio

EDITORIAL: A democracia não admite silêncio
EDITORIAL JORNAL EM PAUTA

A manhã desta quinta-feira (12), em Bragança Paulista, não foi apenas marcada por mais um episódio de tensão política, mas por um ataque direto aos pilares da democracia: a liberdade de imprensa e o direito à livre manifestação, temas estes inegociáveis.

O que se viu no Paço Municipal foi um governante que, diante do contraditório e da cobrança da população, abandonou a liturgia do cargo para adotar a truculência. Postura inaceitável de um político tão experiente, que foi vereador e deputado por mais de 30 anos. Um homem, que respira política desde que nasceu e cresceu vendo o avô, o pai e o tio exercendo tão importantes cargos.

O episódio envolvendo o prefeito Edmir Chedid e o repórter Luis Henrique Domingues, da Bragança FM, é inaceitável. E como a democracia não admite silêncio, nós do Jornal Em Pauta, repudiamos e lamentamos a postura do prefeito e nos solidarizamos com o repórter.

Ao tomar o celular de um profissional de imprensa, em pleno exercício de sua função e, em seguida, tentar silenciá-lo com gritos e intimidações, o chefe do Executivo não atinge apenas um jornalista; ele atinge o direito de toda a população de ser informada em tempo real sobre os atos de seus representantes.

O prefeito precisa aprender lidar com as divergências e, acima de tudo, com o novo cenário comunicacional mundial.

Acostumado com os microfones da rádio pertencente à sua própria família — onde o discurso muitas vezes é controlado e o monólogo impera — Edmir Chedid parece não aceitar que a suas narrativas se esvaíram.

As pessoas hoje em dia questionam o que leem e ouvem, opinam e tiram suas próprias conclusões. Uma história tem sempre muito mais do que apenas um lado.

E se na rádio da família, o prefeito é o dono da voz; nas ruas, diante de transmissões ao vivo e celulares independentes, ele é apenas mais um agente público sujeito a questionamentos.

Aprender lidar com isto é fundamental.

O ataque ao repórter nada mais é do que o reflexo de um governante que não entendeu que não tem o controle sobre o que o cidadão pode ver e ouvir. Talvez, na década de 90, quando seu pai Jesus Chedid era prefeito, isto acontecesse. Hoje não mais.

É hora do prefeito entender, de uma vez por todas, que não dá para voltar àquela época e restaurar um tempo onde a versão dos fatos chegava aos lares bragantinos seja via rádio, seja por extintos jornais impressos apenas pela ótica da sua família ou de qualquer outro grupo político que estivesse no poder.

A internet deu voz a todos e mais do que discursos e narrativas, a população cobra ações. E, é por isto mesmo, que ao prefeito cabe seguir em frente e seguir trabalhando sério, que os resultados virão.

Edmir Chedid tem como slogan de governo a frase: “Aqui o trabalho fala mais alto”, mas quando se trabalha de verdade, não é preciso gritar ou falar mais alto. A população sente nas ruas quando o atendimento na saúde não tem fila de espera, quando se tem medicamentos no posto, quando não faltam professores em sala de aula, quando os agentes culturais são tratados com respeito.

O que nos preocupa, após o episódio de hoje, é que a atitude do prefeito contra o repórter não é um fato isolado, mas a construção de um padrão. O histórico de “destemperos” acumulados desde 2025 desenha o perfil de uma liderança que parece confundir autoridade com autoritarismo.

O Jornal Em Pauta reitera sua total solidariedade ao colega de profissão e às manifestantes que foram alvo da hostilidade oficial. A liberdade de expressão e de imprensa são cláusulas pétreas. Bragança Paulista merece uma gestão que dialogue com a voz do povo, e não uma que tente, no grito e na força, abafá-la.

O poder emana do povo e para ele deve ser exercido com equilíbrio, educação e transparência. Sem isso, o que resta é apenas a sombra de uma política ultrapassada, pautada pelo ego e pelo descontrole.

📲 Siga o Bragança Em Pauta no Instagram e no Twitter