Estabelecimentos de Bragança Paulista reagem à crise do metanol

Os casos recentes acendem o alerta sobre bebidas adulteradas; comércio local aposta em fiscalização e confiança para proteger consumidores
Recentemente, a crise envolvendo bebidas intoxicadas pela substância do metanol tem gerado preocupação entre consumidores e comerciantes de todo o estado de São Paulo. Em Bragança Paulista, especificamente, houve uma suspeita de caso que foi desmentido pelo Em Pauta. Posteriormente, a UNICAMP confirmou que não se tratava de uma contaminação por metanol.
Supermercados, bares e casas de eventos estão redobrando os cuidados com a procedência e segurança das bebidas que chegam às prateleiras e são servidas ao público.
O metanol é um álcool industrial usado em combustíveis e produtos de limpeza. Quando ingerido, mesmo em pequenas quantidades, pode causar cegueira, danos neurológicos e, em casos graves, óbito.
Estabelecimentos redobram a atenção
Vários estabelecimentos de Bragança Paulista compartilham do sentimento de alerta e responsabilidade. No Supermercados Mendonça, a direção afirma que o público está mais atento aos detalhes das embalagens e à procedência dos produtos.
“Percebemos uma preocupação maior dos clientes, em observarem com mais atenção os rótulos, selos… o que é muito importante, mas também percebemos que se sentem mais seguros em comprar conosco, considerando nosso histórico compromisso de compra, sempre de forma ética”, afirma a diretoria do Supermercados Mendonça.
O Mendonça também ressaltou, em entrevista para o Em Pauta, que todas as bebidas comercializadas são adquiridas diretamente de fabricantes e distribuidores oficiais. “Todas as bebidas, ou quaisquer produtos comercializados no Mendonça, independente do cenário atual, são originais e sempre adquiridos diretamente dos fabricantes e distribuidores oficiais, com nota fiscal e garantia de procedência’’, destacam. Além disso, o supermercado também reafirmou que, caso haja qualquer suspeita de adulteração, o produto será imediatamente recolhido e encaminhado às autoridades.
No Miami Beer Botequim, há semelhança no cenário. O grupo relatou que o consumo de destilados diminuiu após a divulgação dos casos, mas também reforçou que a transparência e a procedência são pilares de sua atuação.
“O estabelecimento sempre prezou por distribuidores conceituados e que oferecem garantia de seus produtos. Estamos à disposição de qualquer órgão responsável para ajudar a combater qualquer tipo de adulteração ou falsificação”, informou Henrique Olher, um dos responsáveis.
Já a Maison Terroir, referência em eventos e casamentos de alto padrão na região, afirmou que intensificou a fiscalização de bebidas trazidas por fornecedores e bares terceirizados.
“Nenhuma bebida sem origem comprovada entra no evento. Exigimos notas fiscais, lacres originais e, quando necessário, laudos de análise de qualidade”, afirmou a direção da casa. Caso haja qualquer suspeita de adulteração, a marca é imediatamente suspensa e as garrafas são retiradas de circulação”, acrescenta Tetê Braga Lonzi.
Por fim, a Maison Terroir também passou a adotar protocolos de descarte responsável das garrafas, para evitar que embalagens originais sejam reutilizadas por falsificadores, uma prática comum em casos de adulteração e que está sendo adotada por outros estabelecimentos do estado.
‘’Os bares são contratados pelos noivos na Maison, porém, pela legislação, qualquer problema pode incidir sobre o espaço (Maison) e assessoria. Então estamos todos juntos nessa. Desde que tudo isso começou, os bares não estão servindo bebidas com destilados como vodka e gin. Estão preferindo Aperol, Campari, uísque e até cachaça de alambique e muito Busca Vida, que compram diretamente na fábrica aqui em Bragança.’’, finalizou Tetê.
Casos no estado
Segundo balanço divulgado na segunda-feira (20), pela Secretaria de Estado da Saúde, em São Paulo há a suspeita de 19 casos de intoxicação por bebidas adulteradas – o menor número desde 2 de outubro. No total, são 38 casos confirmados em todo o estado.
As autoridades estaduais reforçam que o metanol não pode ser usado em bebidas, e sua presença é sinal de adulteração. Por isso, a recomendação é que o consumidor nunca adquira produtos de origem duvidosa ou sem identificação clara do fabricante.
Como o consumidor pode se proteger
O Procon-SP e a Associação Brasileira de Bebidas Destiladas (ABBD) disponibilizam orientações sobre verificação de autenticidade no site www.abbd.org.br.
- Compre apenas em locais de confiança: evite produtos de ambulantes, redes sociais ou sites não oficiais.
- Observe o rótulo e o lacre: desconfie de embalagens amassadas, com erros de ortografia, rótulos desalinhados ou tampas danificadas.
- Exija sempre a nota fiscal: que permite rastrear a origem do produto e é fundamental em caso de denúncia.
- Desconfie de preços muito abaixo do mercado: podem indicar adulteração.
- Não faça testes caseiros, como provar, cheirar ou tentar queimar a bebida. São práticas perigosas e não garantem a segurança.
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