Estado rompe contrato com professor acusado de racismo em Bragança

Estado rompe contrato com professor acusado de racismo em Bragança

O caso de um professor de biologia da Escola Estadual Ministro Alcindo Bueno de Assis (EEMABA), em Bragança Paulista, que fez uma fala de cunho racista aos seus alunos, nesta semana, trouxe desdobramentos ao profissional, após publicação de reportagem do Em Pauta e repercussão do caso nas mídias sociais.

Por meio de nota à reportagem, a Secretaria Estadual da Educação do Governo de São Paulo afirmou que “repudia qualquer ato de racismo dentro ou fora do ambiente escolar e assim que soube do episódio, a direção da escola comunicou a Supervisão de Ensino e conversou com os alunos para compreender a situação. Também foi realizada reunião entre a equipe gestora, coordenação pedagógica e o contrato com o professor envolvido será extinto”.

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Ainda de acordo com a SEDUC, as diretrizes da ‘Trilha Antirracista’, presente em todas as escolas da rede estadual, seguem sendo reforçadas. Com o ocorrido, a gestão e professores da unidade vão elaborar estratégias para atividades pedagógicas antirracistas voltadas para todos os alunos, tais como: roda de conversa, ação de conscientização e amplo diálogo na unidade escolar; bem como trabalho de aprendizado sobre vocabulário antirracista com colaboradores.

O Governo do Estado informa ainda que o caso foi inserido na Plataforma Conviva SP – Placon, sistema utilizado para acompanhamento de registro de ocorrências escolares na rede estadual de ensino. A Pasta e a Diretoria de Ensino de Limeira se colocam à disposição da comunidade.

Não há informações se boletim de ocorrência foi registrado por alguma parte envolvida, para investigação da Polícia Civil e possíveis desdobramentos judiciais.

ENTENDA O CASO

Alunos do EEMABA, em Bragança Paulista, gravaram um vídeo em sala de aula, em que um professor de biologia, faz afirmações de cunho racista durante uma explanação sobre genes, dizendo que orienta sua filha “a casar com brancos, pois a raça branca está acabando”.

Confira na íntegra, o que disse o professor:

“ 50% de chance de nascer branquinho ou de nascer moreninho. Normalmente nasce o que? Moreno. Eu falo para vocês, não sei se vocês vão acreditar no professor de biologia. Pessoas com pele branca estão acabando. A minha (família ou filha) é branca. A (suprimido) que é a mãe dela é branca. Eu sou branco, só pode sair branco. Se saísse de olhinho puxado, moreninho, ia sair cacete lá. Então eu falo pra ela, já falei pra ela, quando você for casar, por favor, case com um cara branco, se não vai nascer moreno e o branco hoje está acabando”.

Alunos ficaram revoltados, com o conteúdo de teor racista e publicaram o vídeo nas redes sociais como forma de denunciar e chamar atenção sobre o tema. Há também relatos nas mídias sociais, de posicionamentos homofóbicos e machistas, vindo do mesmo professor.

NOTA DO EEMABA

Ontem (6), professores, equipe gestora, alunos e comunidade escolar do EEMABA publicaram uma Nota de Repúdio sobre o fato.

“Repudiamos qualquer posicionamento que endosse, promova ou defenda opiniões ou práticas racistas. Repudiamos, também, qualquer opinião de uma falsa-ciência que defenda o branqueamento da população brasileira. Defenderemos sempre uma educação laica, libertadora e transformadora para que todos possam se sentir acolhidos, respeitados e incluídos na escola e na sociedade”, diz trecho do comunicado.

“Em pleno século XXI, não podemos, enquanto educadores, apoiar dentro do espaço escolar posturas que firam os direitos humanos e colaboram para a reprodução de ideias preconceituosas, discriminatórias ou mesmo discurso de ódio”, complementa.

“Estamos do lado de todos os alunos e alunas na luta antirracismo, anti-homofobia, antimachista e quaisquer outras formas de discriminação e preconceito”, conclui o documento de responsabilidade de outras dezenas de funcionários da Instituição, que ficaram revoltados com o episódio.

OUTRO LADO

A reportagem do Em Pauta tentou contato com o professor, mas ainda não obtivemos êxito.

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