Julgamento do ‘Caso Cristina’ é suspenso e será retomado nesta quinta

Julgamento do ‘Caso Cristina’ é suspenso e será retomado nesta quinta
Foto: Filipe Granado

Após um dia intenso, com cerca de 8 horas de depoimentos de testemunhas e dos dois réus, o julgamento do ‘Caso Cristina’ foi suspenso no Fórum de Bragança Paulista por volta das 19h desta quarta-feira (5).

O desaparecimento de Cristina Leite de Oliveira foi registrado em outubro de 2024. Após o início das investigações, o caso ganhou uma reviravolta e sua irmã, Tereza Leite Pereira, e o cunhado, Jairo do Nascimento Santos, tornaram-se suspeitos de assassinar Cristina, que, apesar de ter 30 anos na época, possuía deficiência intelectual e agia como uma criança.

Os dois foram indiciados pela Polícia Civil, estão presos desde então, mas o corpo dela nunca foi localizado.

PRIMEIRO DIA DE JULGAMENTO

O Em Pauta acompanhou o primeiro dia de julgamento com exclusividade. Duas testemunhas foram ouvidas em sigilo. Na sequência, foram colhidos os depoimentos de familiares da vítima.

Dois policiais civis da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que trabalharam na apuração do caso, também foram ouvidos e relataram aos jurados que, com os levantamentos telefônicos, localizaram uma mensagem na qual, dias antes do crime, Jairo teria pedido ajuda ao filho de Tereza para impedir que a mulher matasse Cristina.

Os policiais acrescentaram ainda que, durante as investigações, tentaram refazer a trajetória do casal no dia do desaparecimento, mas há diversas divergências entre o que eles afirmam e o que mostram as câmeras de monitoramento e os dados de rastreamento de telefonia celular.

O celular de Tereza indica, por exemplo, que ela teria permanecido por cerca de 1h30 na zona rural da região de Pedra Bela e Pinhalzinho. Apesar das buscas, o suposto corpo nunca foi localizado. Na sequência, também foram ouvidos uma amiga e o ex-marido da ré Tereza.

 

RETOMADA DO JÚRI POPULAR

O julgamento será retomado na manhã de quinta-feira (6), às 9h30, pelo Tribunal do Júri. Na oportunidade, o promotor de Justiça apresentará as teses de acusação e as provas do crime. Já os advogados defenderão os réus.

Na sequência, o juiz Carlos Henrique Scala de Almeida formulará perguntas objetivas sobre a existência do crime, autoria e se o réu deve ser absolvido. Os jurados, então, irão para uma sala isolada e depositarão cédulas escritas “Sim” ou “Não” em uma urna. A decisão é tomada por maioria simples, ou seja, 4 votos a favor ou contra encerram a contagem.

No processo, o juiz da Vara do Júri verificou a existência de indícios suficientes de autoria e prova da materialidade para que o caso fosse submetido ao Conselho de Sentença.

Quando a decisão for tomada pelos jurados, caberá ao juiz redigir a sentença final, baseada na deliberação do Conselho. Os jurados foram levados para um hotel na cidade e permanecem incomunicáveis até o fim do julgamento.

AUSÊNCIA DO CORPO

Como o corpo de Cristina não foi encontrado, a decisão a ser tomada pelos jurados no julgamento se apoia na possibilidade de admitir a acusação mesmo sem o exame direto de corpo de delito, permitindo que, em certas situações, a prova testemunhal supra essa ausência. A sentença também faz referência a entendimentos já consolidados nos tribunais superiores que reconhecem essa alternativa jurídica.

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