Juninho Boi leva o nome de Bragança Paulista ao topo do Jiu-Jitsu mundial mais uma vez

Após conquistar o 7º título mundial, em Tóquio, atleta Juninho Boi soma mais de 160 conquistas em 17 países e quer encerrar a carreira representando Bragança Paulista em 50 nações diferentes
O nome do bragantino Juninho Boi ecoou pela quarta vez no país que é berço das artes marciais, o Japão. O atleta voltou de Tóquio com o sétimo título mundial no currículo, uma marca que o consolida como um dos principais nomes do jiu-jítsu brasileiro no cenário internacional. Foram três combates intensos até levantar mais uma vez o troféu de campeão mundial. “Venci três lutas e me tornei campeão mundial 2025, somando sete títulos mundiais”, conta.
Mas a história de Juninho não para por aí. Antes mesmo de desfazer as malas, ele já traçou o próximo destino: o Internacional Master Ásia, competição que acontece no dia 29 de novembro, na cidade de Gunma, também no Japão. Será o último torneio do ano e mais um capítulo de uma trajetória marcada por foco, resiliência e amor ao esporte. “Não muda nada, pois me mantenho preparado e focado o ano todo. Esse ano competi vários eventos no primeiro e segundo semestre”, explica.
CARREIRA DE JUNINHO BOI
Desde 2001, quando começou a competir representando Bragança Paulista, Juninho constrói uma carreira sólida e vitoriosa: são mais de 160 títulos conquistados em 17 países, em campeonatos de diferentes níveis e categorias. O atleta leva o nome da cidade por onde passa, tornando-se exemplo no esporte.
“O que me motiva é poder mostrar que um nascido e criado no interior de São Paulo consegue vencer os maiores eventos do mundo, mesmo sem ajuda dos órgãos públicos”, afirma. Essa força interior se transformou em combustível para alcançar o topo, enfrentando adversários de vários continentes e vencendo, acima de tudo, os próprios limites.
Competir e vencer no Japão tem um significado especial para Juninho. Ele descreve o país com emoção e reverência, como se cada vitória lá carregasse algo a mais do que apenas uma medalha. “Lá eles te reconhecem como uma celebridade. O evento é maravilhoso, típico dos filmes, com muita produção e iluminação. A entrada tem fumaça, narração em japonês… isso faz o atleta se sentir prestigiado”, relata.
Essa atmosfera única faz do Japão uma espécie de “segunda casa” para o atleta. “Será minha quarta participação em eventos japoneses, pois venci duas vezes o Campeonato Asiático, em 2023 e 2024, e agora o Mundial. O Japão me inspira. É um choque de cultura que me faz lembrar os seriados que eu via na infância, como Jaspion e Jiraya. Essa vivência me eleva como pessoa e como atleta”, conta.
Com 25 anos dedicados ao jiu-jítsu, Juninho sabe que o sucesso não vem apenas da força física. A mente, ele diz, é o principal campo de batalha. “Busco sempre pensar em coisas positivas e fazer o que precisa ser feito, sem pular etapas. Saber que fiz tudo certinho me dá a sensação de merecimento e me deixa preparado de verdade”, explica.
A disciplina que ele mantém dentro do tatame se reflete em todas as áreas da vida. “Durante o dia trabalho muito, e à noite faço preparação física, dou aulas e treino com meus alunos. Isso acaba sendo minha válvula de escape. Quando estou focado no esporte, me sinto focado em tudo o que abrange minha rotina pessoal e profissional. Tento buscar dessa forma o meu equilíbrio mental e físico, sempre com pensamento positivo”, revela Juninho Boi.
Juninho Boi não compete sozinho. Cada medalha traz consigo o nome de Bragança Paulista, cidade que ele faz questão de representar com orgulho. Em cada campeonato internacional, o atleta leva o brasão do município no quimono e o carinho dos bragantinos no coração. “Cada vez que subo no pódio, penso nas pessoas que torcem por mim e nos alunos que se inspiram na minha trajetória. Isso me dá força para continuar”, afirma.
Mesmo com a falta de apoio público, Juninho reconhece o papel essencial dos patrocinadores e amigos que acreditam no seu trabalho. “Sou muito grato a quem caminha comigo nessa jornada, porque é um sonho que realizo não só por mim, mas por todos que acreditam que o esporte pode transformar vidas”, ressalta.
Apesar das inúmeras conquistas, Juninho não pensa em desacelerar. Ele tem metas ousadas para os próximos anos. “Quero bater meus próprios recordes. Já conquistei praticamente tudo no jiu-jítsu, já realizei meus sonhos como atleta, mas quero levar o nome da nossa cidade para mais países. Já são 17, e quero chegar a 50”, projeta.
A busca por novos desafios, no entanto, não é apenas por troféus. É sobre o legado de inspirar jovens, quebrar barreiras e mostrar que o talento de um atleta do interior paulista pode atravessar oceanos e alcançar o mundo.





