Justiça suspende nomeações de Cleber Centini e Noi Camilo

O juiz da 4ª Vara Cível de Bragança Paulista determinou que o prefeito Edmir Chedid suspenda imediatamente as nomeações do secretário de Cultura e Turismo, Cleber Centini Cassali, e do chefe da Divisão de Cultura, Noi Camilo.
A informação tornou-se pública nas redes sociais no final da tarde desta sexta-feira (9), no perfil do radialista Cláudio Moreno.
O juiz tomou a decisão após denúncia apresentada à Justiça pelo médico Dr. César Alves, que questionada as nomeações.
ENTENDA O CASO
Cleber Centini renunciou à presidência da Liga Independente das Escolas de Samba de Bragança Paulista (LIESB) às vésperas do Carnaval de 2025. A renúncia ocorreu em meio a uma batalha judicial, na qual a Justiça suspendeu os repasses de verba da Prefeitura para a realização do Carnaval de Bragança Paulista.
Devido a condenações anteriores por improbidade administrativa, Centini foi acusado de estar proibido de assumir cargos no Poder Público, direta ou indiretamente, até outubro de 2027, além de não poder receber incentivos nesse período. A Polícia Civil segue apurando o caso por meio de inquérito.
Na época, Noi Camilo assumiu o posto e, à frente da LIESB, organizou o Carnaval de 2025. Como a Prefeitura já havia efetuado o repasse, o evento ocorreu normalmente.
Alguns meses depois, Edmir Chedid nomeou Cleber Centini e Noi Camilo como secretário e chefe de divisão, respectivamente. As nomeações aconteceram em outubro.
DENÚNCIA
Para o médico César Alves, eles não poderiam exercer os cargos, já que seriam responsáveis por analisar a prestação de contas do Termo de Colaboração nº 01/2025 — ou seja, as contas do Carnaval do ano anterior, organizado pela própria LIESB, entidade que ambos comandaram.
Por esse motivo, o médico ingressou na Justiça para pedir a suspensão das nomeações. Ele afirma que as nomeações violam os princípios da moralidade, impessoalidade e finalidade administrativa.
Com base nas alegações iniciais, o juiz Wellington Urbano Marinho determinou a suspensão imediata das nomeações e proibiu Cleber e Noi de analisar as contas do Carnaval do ano anterior ou assinar novos convênios e contratos relacionados à área cultural.
Ainda cabe recurso da decisão.
POSICIONAMENTOS
O Em Pauta entrou em contato com a Secretaria de Comunicação da Prefeitura e aguarda retorno sobre a decisão de Edmir Chedid quanto à exoneração dos dois comissionados e o prazo para que isso ocorra. O juiz fixou multa diária em caso de descumprimento da medida.
A defesa de Cléber Centini prometeu recorrer da decisão. “Embora a defesa ainda não tenha sido regularmente intimada da liminar, oportunamente recorrerá da decisão ao Tribunal de Justiça de São Paulo”, afirmou o advogado Ícaro Machado Prado.
Já Cléber afirmou à reportagem do Em Pauta que “respeita qualquer decisão da Lei e, havendo essa suspensão, a gente obedece”. “Continuo confiando muito na Lei, agradeço a confiança do prefeito depositada em minha pessoa. Acho um absurdo, mas tenho que respeitar a decisão dada a uma Ação Popular, sem ouvir a outra parte em um processo de 940 páginas, que foi tão rápido avaliado”, declarou.
“Estou com a cabeça tranquila, não fiz nada de errado, não tenho nada de errado. Pena que eu tive que cumprir eu já cumpri. Tenho todas as certidões necessárias para ser contratado. Discordo, mas respeito a decisão”, complementou.
Centini classificou o episódio como perseguição política. “É uma Ação Popular que de popular não tem nada. Teve uma ação política contra a minha pessoa e a pessoa do Noi Camilo”, concluiu.
Por fim, Noi Camilo classificou como inexplicável a decisão. “A única coisa que posso te falar é que não tem nenhuma condenação contra mim, inexplicável”, disse.





