Coluna do Tárcio Cacossi: Fernando Seabra deve permanecer

Coluna do Tárcio Cacossi: Fernando Seabra deve permanecer
*Por Tárcio Cacossi

Fernando Seabra deve permanecer

É cultural no futebol brasileiro a saída dos treinadores quando os resultados não acontecem. Neste momento de queda que o Red Bull Bragantino vive, com oito jogos sem vencer e sete derrotas consecutivas, aumenta a pressão para cima do técnico Fernando Seabra.

Desde a volta da temporada após a paralisação para a Copa do Mundo de Clubes, o time venceu apenas um jogo pelo Campeonato Brasileiro, justamente o primeiro em seu retorno aos campos, no dia 13 de julho, contra o Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro, fora de casa. Três dias depois empatou com o São Paulo, em casa, e sofreu cinco derrotas seguidas pela competição, além de duas diante do Botafogo, que resultaram na eliminação da Copa do Brasil.

Ainda no Brasileirão, se o time manteve média próxima de gols marcados (1,14 – 8 gols em 7 jogos) ante 14 gols em 12 jogos (média de 1,16) antes da paralisação, a defesa se tornou uma porteira aberta: de 11 gols nos 12 primeiros jogos antes da parada (média de 0,9 por jogo), em sete partidas levou 14 gols (média de 2 por partida).

Com isso, ao final do primeiro turno, a equipe que ocupava a terceira colocação caiu para o oitavo lugar, com 27 pontos, um a mais apenas que o mesmo período do ano passado, quando no primeiro turno fez 26 pontos, em 12º lugar. Todos sabem o que aconteceu no ano passado.

Dificilmente a equipe terá uma sequência tão negativa assim no segundo turno como em 2024, quando ficou 12 jogos sem vencer e conseguiu a permanência ao vencer os dois últimos jogos e contar com uma combinação favorável de resultados, mas para não correr esse risco novamente, a solução não é a queda do treinador.

Ele é o menos culpado, pois com uma sequência extremamente desgastante de jogos, vem tendo muitos problemas para escalar a equipe, com contusões, principalmente na defesa, suspensões e necessidade de alternar alguns jogadores que apresentam maior desgaste físico para não ocupar ainda mais o departamento médico.

Cabe à diretoria trazer reforços capazes de fazer a diferença nesta janela de meio de temporada. Embora o clube tenha feito boas contratações no início do ano, tudo indica que o grupo atual não é suficiente para conquistar o objetivo estabelecido no início da competição de terminar entre os 10 primeiros colocados.

Na última entrevista coletiva, o técnico disse que o clube está buscando um zagueiro e um lateral esquerdo. Inclusive, conforme já saiu em toda a mídia na semana passada, o lateral esquerdo já está praticamente fechado: é Vanderlan, do Palmeiras, que deve assinar contrato ainda esta semana e ser um bom substituto para Juninho Capixaba. Mas ainda é pouco. É preciso mais um meia-atacante, pois quando Jhon Jhon não tem condições de jogo, o time sofre ofensivamente, e mais um ponta, pois Laquintana, Vinicinho e Mosquera são totalmente irregulares.

Com a chegada de reforços, aliada à volta de alguns jogadores do departamento médico e mais tempo para descanso e treinamentos, já que o clube se concentra agora apenas no Brasileirão, é possível retomar a rota positiva do início da competição e espantar de vez qualquer ameaça de viver novamente o drama do ano passado.

IMPEACHMENT

O impeachment de Augusto Melo como presidente do Corinthians no último sábado tomou conta de boa parte do noticiário esportivo no final de semana. Com a saída do ex-presidente, indiciado pela Polícia Civil, juntamente de ex-dirigentes do clube, pelos supostos crimes de associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro, além de investigações do Ministério Público contra seus antecessores, Duílio Monteiro Alves e Andrés Sanchez, por uso de cartão corporativo para gastos pessoais, entre outras irregularidades, parece não haver uma luz no fim do túnel.

Mas se tem um clube com um potencial gigantesco de gerar receita e se manter, mesmo sem um grande investidor, é o Corinthians. Basta seguir o exemplo do Flamengo, outro gigante do futebol brasileiro, que colhe os frutos da austeridade (inclusive no time, abrindo mão de disputar títulos) iniciada em 2013, que resultou em muitos títulos e receitas inalcançáveis a partir de 2019.

NOVA VILA BELMIRO

Se para os corintianos, o final de semana foi negativo, para os santistas foi fantástico ou santástico não só pela vitória sobre o Cruzeiro mas principalmente porque a Prefeitura de Santos (SP) autorizou, na última sexta-feira (8), o início das obras de remodelação da Vila Belmiro, que será transformada em arena multiuso moderna, com capacidade para mais de 30 mil pessoas, fortalecendo a cidade como polo esportivo e cultural.

O projeto, conduzido pela WTorre, que já realizou projetos como o Allianz Parque e participa da reformulação do Morumbis, prevê um investimento de aproximadamente R$ 700 milhões e prazo de conclusão de 40 meses, com entrega estimada até 2029.

O anúncio encerra especulações sobre o novo estádio santista e marca o início de uma nova fase para o clube. Ao mesmo tempo – já que mencionamos o Corinthians acima, que tem uma dívida gigantesca envolvendo a Neo Quimica Arena – é preciso que essa obra seja acompanhada pari passu pela imprensa e pelo torcedor santista a fim de que o filme não se repita com mais um grande do futebol brasileiro.

*Tárcio Cacossi, é jornalista, com MBA em Gestão e Marketing Esportivo. 

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