Coluna do Tárcio Cacossi: hora do Bragantino dar um passo adiante

*Por Tárcio Cacossi
Hora de dar um passo adiante
Em meio ao Carnaval a bola seguiu rolando normalmente no futebol brasileiro no último final de semana, como se nada estivesse acontecendo. Fruto do calendário inchado e que ignora o período de maior alegria e manifestação cultural do povo brasileiro.
Em Bragança Paulisa, que não teve as escolas de samba no Posto de Monta, ao lado, no Estádio Municipal Cícero de Souza Marques, quem desfilou foi o Red Bull Bragantino, que venceu o Novorizontino, com a ousadia que faltou ao técnico Vagner Mancini na derrota diante do Corinthians pelo Brasileirão na última quinta-feira.
O jovem Yuri Leles, uma das maiores revelações das categorias de base do clube nos últimos anos e que deveria ao menos ter entrado no decorrer da partida na capital paulista, iniciou o jogo. Com isso, o treinador foi coerente com seu discurso de que não hesitaria em colocar os jogadores que vêm da base em caso de necessidade. E a presença dele era uma necessidade, para ter de volta um camisa 10 depois da saída do Jhon Jhon e com a lesão de Rodriguinho.
Por mais que os resultados estivessem acontecendo, era nítida uma queda de criatividade de um modo geral na equipe. Pelo nível que atingiu Jhon Jhon, obviamente será muito difícil em pouco tempo encontrar um substituto à altura. No entanto, a presença de um jogador da mesma posição, que tem a característica de atuar mais próximo dos atacantes, potencializa os demais, já que o time havia se acostumado a atuar nessa “engrenagem”. Gustavo Neves, por exemplo, que vinha tendo dificuldades em exercer o papel de Jhon Jhon nos últimos jogos, para ser um camisa 10, voltou a atuar como um “8”, que tem mais liberdade para vir de trás, atuando de uma área à outra. O “primeiro volante” ou “camisa 5” Gabriel também passa a ter o trabalho facilitado com jogadores de maior qualidade técnica mais próximos.
Com o resultado, o Bragantino terminou em 3º lugar a primeira fase e garantiu um jogo pelas quartas de final na cidade. E o adversário é ninguém mais ninguém menos que o São Paulo que, dos grandes da capital, historicamente sempre foi a maior pedra no sapato – exemplo maior que a final do Brasileirão de 1991 não há.
Mas atualmente seria muito pior pegar o Palmeiras, maior campeão de tudo nos últimos anos, ou o Corinthians, atual campeão paulista e da Copa do Brasil e que já impôs muitas dificuldades no jogo pelo Brasileirão. Ou até mesmo o Santos com a euforia pela volta de Neymar, após mais um período de lesão.
Ainda assim, quem tem ambições maiores não pode escolher adversário. Pela primeira vez desde a chegada da Red Bull a Bragança Paulista, os jogadores e o técnico falam publicamente que o que interessa no Paulista é ser campeão. Por mais que o São Paulo esteja melhorando depois de todas as turbulências que passou fora de campo e invicto há seis jogos, não dá mais para aceitar o discurso de que “jogamos como nunca e perdemos como sempre”. Da mesma forma isso se aplica para a semifinal e final. O melhor início de ano da história, com apenas uma derrota em 11 jogos dá o direito a todos no clube e na torcida de pensar dessa forma. É hora de dar um passo adiante!
*Tárcio Cacossi, é jornalista, com MBA em Gestão e Marketing Esportivo, e comentarista da Rádio Bragança FM
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