Coluna do Tárcio Cacossi: aula de marketing esportivo da NFL

Coluna do Tárcio Cacossi: aula de marketing esportivo da NFL

*Por Tárcio Cacossi

Uma aula de marketing esportivo

 

Com uma tranquilidade na movimentação do Red Bull Bragantino nos últimos dias em função da paralisação do calendário nacional do futebol para as datas Fifa, vamos destacar nesta coluna um outro futebol: o americano. Afinal de contas a realização da partida entre Los Angeles Charges x Kansas City Chiefs em São Paulo, na Neo Química Arena, na última sexta-feira (5), foi uma verdadeira aula de gestão e marketing esportivo da NFL (liga nacional da modalidade nos Estados Unidos).

A escolha do Brasil como palco pelo segundo ano consecutivo traduz o reconhecimento do país como um dos maiores mercados consumidores de esporte no mundo, tanto que há rumores de que poderão ser realizadas duas partidas por temporada no Brasil, sendo a outra no Rio de Janeiro, no Maracanã. Além do impacto cultural e da experiência única para os fãs, a iniciativa impulsiona negócios, fortalece marcas patrocinadoras e aproxima ainda mais o público brasileiro do futebol americano.

Durante duas semanas, com o objetivo de gerar interesse e fomentar o evento localmente, a NFL, assim como alguns de seus parceiros comerciais e times envolvidos com o jogo e com o mercado brasileiro, criaram uma série de ativações para se conectar com diferentes públicos.

Conforme define o Prof. Fernando Fleury, que foi meu orientador no MBA em Gestão e Marketing Esportivo, o mesmo raciocínio vale para a transmissão. “A NFL sabe que não é fácil segurar a atenção da Geração Z por três ou quatro horas seguidas. A resposta foi criar um produto audiovisual fragmentado, com cortes rápidos, estatísticas em tempo real, câmeras exclusivas e melhores momentos prontos para viralizar. O campo é a narrativa principal, mas o espetáculo se multiplica na segunda tela, seja no TikTok, no Instagram ou no X. O torcedor não precisa acompanhar cada “snap”: precisa ter o lance certo para compartilhar. Para as gerações mais velhas, o jogo permanece linear; para a nova, ele se converte em um mosaico digital”, argumenta em sua coluna no portal Máquina do Esporte.

“No Brasil, essa engrenagem ganha potência extra com a entrada da Globo. A emissora dá à NFL algo que nenhuma campanha paga conseguiria: legitimidade cultural. O que era nicho de iniciados vira espetáculo de massa. A Globo transforma um evento escasso em ritual coletivo, multiplicando o alcance e inserindo a liga na sala de milhões de brasileiros”, complementa.

Por outro lado, é preciso ressaltar também que o futebol americano não tem nenhuma familiaridade para o grande público brasileiro. O esporte ainda não saiu de um público muito específico, formado por uma maioria de gente com poder aquisitivo mais elevado e com alto interesse de consumo. Além disso, praticamente não há atletas brasileiros no esporte, muito menos como protagonistas, o que poderia ser um atrativo para a grande massa.

Por isso, antes de tudo, o jogo precisa ser ensinado ao torcedor no Brasil, como fez a ESPN nos últimos 20 anos, dentro de um nicho que já se interessava pelo esporte, e como agora o Grupo Globo terá que fazer também, com um desafio ainda maior por atingir um público mais amplo e que ainda não é fã da modalidade.

BRAGA FEMININO TEM POTENCIAL

De acordo com a súmula da Federação Paulista de Futebol, 540 torcedores estiveram presentes na derrota do Red Bull Bragantino por 3 a 2 diante do Corinthians na última quinta-feira, 4, no Estádio Municipal Cícero de Souza Marques. Pelo horário (17h), em meio ao expediente comercial, e por ser um jogo ainda de primeira fase de Campeonato Paulista, não é um público ruim, ainda mais tendo em vista que a realidade do futebol feminino ainda é de estádios vazios, como acontece com o próprio Braga quando joga em Santana de Parnaíba. Que sejam realizados mais jogos do time feminino em Bragança Paulista para atrair cada vez mais o público.

Dentro de campo, o desafio ainda é duro, uma vez que as adversárias do estado de São Paulo são a maioria entre as equipes mais fortes também do país e o Corinthians, mesmo com uma equipe reserva, já que disputa a final do Brasileirão contra o Cruzeiro, conseguiu a vitória. Mas como todo o investimento da Red Bull é estratégico e gradual, é possível prever que em pouco tempo o time feminino do Massa Bruta estará entre os mais fortes do país.

REFORÇOS IMPORTANTES

Mesmo sem grandes contratações para a sequência da temporada, a volta de jogadores titulares do sistema defensivo pode fazer a diferença neste segundo turno, a partir do jogo contra o Sport, no próximo domingo, em Bragança Paulista. Com os retornos de Pedro Henrique por suspensão e dos laterais Andrés Hurtado, pela direita, e Juninho Capixaba, pela esquerda, recuperados de lesão, o técnico Fernando Seabra poderá ter de volta a linha defensiva que tinha uma média de 0,9 gols sofridos por jogo antes da parada para a Copa do Mundo de Clubes e que com os desfalques nesses últimos 12 jogos tem média de mais de dois gols por partida.

*Tárcio Cacossi, é jornalista, com MBA em Gestão e Marketing Esportivo. 

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