Coluna da Vanessa Nogueira: a cultura e o respeito tentam sobreviver

Coluna da Vanessa Nogueira: a cultura e o respeito tentam sobreviver
*Por Vanessa Nogueira

Entre impostos, eleições e intolerância: a cultura e o respeito tentam sobreviver

Olá, minhas queridas e meus queridos leitores!

A semana chega com uma pergunta incômoda — daquelas que não cabem em resposta pronta nem em postagem com letra garrafal: que cidade estamos construindo quando a política aperta o bolso, os servidores questionam decisões e a internet transforma qualquer conversa em ringue?

Política local: imposto agora, alívio depois?

A Câmara aprovou, em 6 de outubro, a mudança do ITBI que prevê alíquota de 3% para imóveis acima de R$ 780 mil. O projeto seguiu para sanção do prefeito.
Na sequência, a Prefeitura encaminhou aos vereadores o REFIS 2026, com descontos propostos sobre juros e multas para contribuintes que regularizarem débitos. Importante: o REFIS ainda depende de aprovação; as condições anunciadas não estão valendo automaticamente.

São assuntos diferentes, mas a sequência chama a atenção.

Aumentar uma cobrança e, logo depois, propor uma renegociação não dispensa explicações. Qual problema o aumento pretende resolver? Qual será o impacto para quem compra um imóvel? E quais critérios orientam o programa de recuperação fiscal? O contribuinte merece mais do que a notícia da cobrança e a promessa de um desconto: merece entender a conta inteira.

Guarda Municipal: valorização se faz com diálogo

Também está a caminho da Câmara um projeto de plano de carreira para a Guarda Civil Municipal e os agentes de trânsito. A proposta prevê uma estrutura com classes funcionais, progressões e regras de remuneração.

Mas há uma questão que não pode ficar de fora da discussão: o texto que será analisado corresponde ao que a categoria reivindicou? Se os servidores entendem que a proposta chegou diferente do que solicitaram, cabe à Prefeitura e aos vereadores esclarecer quais pontos foram acolhidos, quais não foram e por quê. Valorizar uma carreira não é apenas apresentar um projeto; é ouvir quem conhece, na prática, o trabalho e as condições da profissão.

Concurso: e os agentes de monitoramento?

Outra pergunta dos moradores: o concurso municipal de 2026 incluiu o cargo de Operador de Monitoramento e teve resultado final divulgado. Mas, até a consulta feita para esta coluna, não localizei uma convocação confirmada para esse cargo.

Então, fica a pergunta à Administração: há previsão de convocação? Quantas vagas serão preenchidas e em qual prazo? Quem prestou concurso tem direito a acompanhar informações claras — e a cidade também precisa saber quando e como pretende reforçar o monitoramento.

Cultura: três convites para não deixar passar

Se a política pede respostas, a cultura pede participação. O 7º Festival Nordestino será realizado nos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro, no Posto de Monta. Desde a primeira edição, a festa conquistou público e se tornou um encontro importante com a música, a gastronomia, o artesanato e a força da comunidade nordestina. Que esse sucesso continue crescendo — com espaço para quem faz cultura e para quem quer celebrá-la.

E atenção aos chamamentos:

  •  Artesãos — 7º Festival Nordestino: inscrições até 21 de outubro;
  •  Artistas — Programação de Natal: inscrições até 26 de outubro;
  •  Conferência Municipal de Cultura.

Confira o prazo e as orientações completas antes de se inscrever no site oficial da prefeitura. bragança.sp.gov.br

A cultura não acontece só no palco: também se constrói quando artistas, trabalhadores, coletivos e moradores participam das decisões sobre o que a cidade apoia e valoriza.

Felca, fobia social e a intolerância que amanheceu online

Na madrugada desta terça-feira, Felca publicou um vídeo pessoal em que fala de bullying, fobia social e experiências difíceis. A divulgação foi anunciada para as 00h de 20 de outubro. Pelo que foi noticiado, trata-se de um vídeo — não de um novo programa.

É legítimo discutir, discordar e até criticar o que figuras públicas dizem. O que não deveria ser normal é transformar uma conversa sobre saúde emocional em licença para humilhar, atacar ou desumanizar alguém. A reação nas redes nesta manhã serve de lembrete: podemos debater o conteúdo sem esquecer que existe uma pessoa do outro lado da tela.

Fobia social não é frescura, falta de vontade nem convite para julgamento. E falar sobre saúde emocional pode abrir uma porta para quem ainda não encontrou coragem de pedir ajuda. Que a conversa seja sobre escuta — não sobre quem consegue gritar mais alto.

Depois de 25 de outubro: o que queremos preservar?

À medida que o país se aproxima de 25 de outubro, a disputa política parece desenhar também uma disputa sobre convivência. Não dá para afirmar que metade da população ficará infeliz — mas é certo que, em qualquer resultado, haverá muita gente frustrada. A pergunta é o que faremos com essa frustração.

O Brasil sempre teve na diversidade uma de suas maiores riquezas: diferenças de origem, fé, ideias, cultura e jeito de viver. Se cada divergência virar motivo para desprezo, a vitória de um lado não será suficiente para tornar o país mais feliz. Podemos perder algo mais fundamental do que uma discussão: o respeito que permite continuar vivendo juntos depois dela.

Que a eleição termine sem que a humanidade do outro vire adversária. Política muda de turno; o compromisso com a convivência precisa ficar.

Dica de viagem: São Luís, no Maranhão

Para celebrar a cultura nordestina também fora da festa, fica a sugestão de São Luís. A capital maranhense convida a conhecer seu Centro Histórico, os azulejos, a música e uma identidade cultural cheia de encontros e histórias. É uma viagem para passear com curiosidade — e voltar lembrando que diversidade não é ameaça: é patrimônio.

Vanessa Nogueira

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*Vanessa Nogueira é  Bacharel em Turismo, consultora, docente, assessora regional e sua parceira na construção de uma Bragança melhor!

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➡️ As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do Jornal Bragança Em Pauta.

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