Coluna da Vanessa Nogueira: entre o barulho e o cuidado

*Por Vanessa Nogueira
Olá, queridos leitores e queridas leitoras do Jornal Em Pauta! E aí, como foi a semana de vocês? A minha passou por notícias, preocupações, pequenas alegrias e aquela tentativa diária de equilibrar trabalho, boletos e esperança. Setembro vai chegando ao fim, mas ainda nos convida a olhar para aquilo que realmente importa: como estamos vivendo, escolhendo e cuidando uns dos outros.
A cidade também fala
Começo por Bragança Paulista, porque a vida acontece para além de Brasília e das manchetes nacionais. No esporte, as Bragantinas retomaram as atividades em 16 de setembro, de olho na sequência da temporada de 2026. Pode parecer uma notícia específica, mas ela carrega um valor maior: equipes, projetos e talentos locais precisam de continuidade, incentivo e público. Cidade que prestigia seus atletas também educa pelo exemplo.
E fica o serviço: a Prefeitura informa que as inscrições para o Casamento Comunitário 2026 começaram em 1 de setembro e terminam no dia 30. Quem pretende participar deve conferir diretamente os canais oficiais e o CRAS responsável, porque prazo de serviço público não combina com informação pela metade. Anote aí: cidadania também se constrói quando a informação chega a quem precisa.
Política não é torcida organizada
Na política, o Tribunal Superior Eleitoral informa que há 12 candidaturas na disputa pela Presidência e que negou o registro da chapa formada por Pablo Marçal e Leonardo.
A campanha ganha velocidade, as redes sociais elevam o tom e as pesquisas passam a ocupar o centro da conversa. Mas pesquisa é fotografia, não sentença: um levantamento citado na cobertura eleitoral apontou 42% para Flávio Bolsonaro e 41% para Lula em um eventual segundo turno.
O que me preocupa é a facilidade com que transformamos número em destino e adversário em inimigo. Eleição exige memória, comparação de propostas e atenção ao que cada candidatura pretende fazer com saúde, educação, segurança, emprego e democracia. Antes de compartilhar o vídeo mais indignado, vale perguntar: quem ganha com a minha pressa? A crítica política só presta serviço quando ajuda a pensar, não quando apenas aumenta o ruído.
Uma reflexão necessária sobre os wind banners
Em tempos de campanha eleitoral, as ruas acabam tomadas por bandeiras, faixas e wind banners. A propaganda faz parte do processo democrático, mas não pode se transformar em obstáculo, risco ou incômodo permanente para quem circula pela cidade.
O que deveria apenas apresentar uma candidatura muitas vezes ocupa calçadas, estreita passagens, bloqueia a visibilidade de motoristas e desrespeita o espaço de pedestres — especialmente idosos, pessoas com deficiência, mães com carrinhos de bebê e trabalhadores que precisam caminhar diariamente.
A Justiça Eleitoral já estabelece restrições para o uso de wind banners em vias públicas, incluindo afastamentos de esquinas e faixas de pedestres. Mas talvez seja hora de irmos além da simples regulamentação. Se não sabemos respeitar o próximo durante uma campanha, talvez seja necessário discutir a proibição desse tipo de propaganda eleitoral a partir de 2028.
Democracia não combina com desrespeito. O eleitor não precisa ser cercado, interrompido ou colocado em risco para conhecer um candidato. Campanha se faz com ideias, propostas e responsabilidade — não com a ocupação desordenada do espaço público.
Propaganda eleitoral não pode valer mais do que o direito de ir e vir.
Setembro Amarelo: escutar é estar presente
Falando em ruído, o Setembro Amarelo deste ano nos lembra de uma atitude simples e imensa: “Escutar é estar presente”.
Prevenção não é publicar uma frase bonita uma vez por ano. É perceber mudanças, acolher sem julgamento, perguntar com cuidado e incentivar a busca por ajuda profissional quando o sofrimento apertar.
Ninguém precisa ter a resposta perfeita para oferecer presença. E ninguém deve carregar sozinho uma dor que precisa de cuidado. O CVV oferece apoio emocional e prevenção do suicídio gratuitamente pelo telefone 188. A ligação é gratuita a partir de telefones fixos ou celulares. Em uma época de tanta exposição e tanta solidão, uma conversa respeitosa pode ser o começo de uma rede. Falar é importante, mas ter quem acolha com respeito também salva vidas.
Inteligência artificial e responsabilidade humana
Na agenda internacional, o tufão Dujuan atingiu a costa do Pacífico do Japão com chuvas torrenciais e deslizamentos fatais. A imagem nos lembra que crises não respeitam fronteiras. E a discussão sobre inteligência artificial segue exatamente nessa direção: a tecnologia avança rapidamente, enquanto seus riscos atravessam países e sociedades.
A ONU defende princípios compartilhados e compromissos comuns para a governança da IA. Como resumiu António Guterres, a ação nacional é essencial, mas a coordenação global é indispensável. Isso significa que não basta perguntar se uma ferramenta é rápida ou impressionante. Precisamos saber quem responde pelo erro, como os direitos humanos serão protegidos e o que acontece com quem não tem acesso. A própria discussão internacional alerta que a autorregulação voluntária das empresas está longe de ser suficiente. Inovação sem responsabilidade é apenas velocidade sem direção.
Uma dica de leitura
A indicação desta semana é da autora Ryane Leão, cuja escrita convida à introspecção, ao acolhimento e à coragem de olhar para dentro. Uma leitura especialmente potente para mulheres que desejam se reconectar com seus sentimentos, sua história e seus próprios caminhos.
Para viajar e respirar
Minha dica de viagem é o Casa Shiva Yoga, no Vale do Capão, na Chapada Diamantina. O espaço fica a 3 km da Vila do Capão e oferece yoga, meditação, hospedagem, alimentação vegetariana, trilhas e contato com cachoeiras e natureza. A proposta é aberta a iniciantes e praticantes experientes, mas datas e preços devem ser confirmados diretamente com o organizador.
Na prática, o aeroporto mais próximo fica em Lençóis, a cerca de 72 km do Vale do Capão. Para quem sai de Salvador sem carro, há opção de ônibus combinada com táxi ou transfer, em uma viagem que pode levar cerca de nove horas. Planeje a conexão final, confirme alimentação, política de cancelamento, transporte, sinal de internet e o que está incluído. Retiro bom é aquele que descansa a alma sem criar uma ansiedade nova no cartão de crédito.
Uma excelente semana a todos, com muita saúde, consciência e arte. Que a gente consiga diminuir o barulho, escolher melhor as palavras e permanecer disponível para o que é humano.
Nos encontramos na próxima coluna!
Vanessa Nogueira
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📱 @VanessaNogueiraBP
*Vanessa Nogueira é Bacharel em Turismo, consultora, docente, assessora regional e sua parceira na construção de uma Bragança melhor!
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