Coluna da Vanessa Nogueira: Independência, onças e a coragem de se conhecer

*Por Vanessa Nogueira
Olá, queridos leitores e leitoras do Bragança em Pauta! Prontos para mais uma viagem pela nossa semana?
Bragança Paulista respirou festejos, tragédias e esperanças nos últimos dias. E eu, como sempre, trago o que vi, o que senti e o que precisamos repensar — juntos.
O pulso da semana
A cidade tem andado com o coração acelerado. O Festival da Linguiça chega em setembro com entrada gratuita — é a nossa cultura gastronômica falando alto. Na saúde, um mutirão com 100 mil procedimentos democratiza o acesso. Na educação, Bragança iniciou o Plano Municipal de Educação para os próximos dez anos. No esporte, jovem atleta bragantino conquistou ouro no Campeonato Brasileiro de Hipismo.
Mas a semana também trouxe dor. Um motorista perdeu a vida no Lago do Taboão — tragédia que nos faz pausar. A Força Tática prendeu um homem e apreendeu três adolescentes com drogas. E o desfile de 7 de Setembro reuniu a cidade — mas precisa ser mais do que um desfile. Precisa ser reflexão.
A independência começa dentro de nós
Neste 7 de Setembro, enquanto celebramos a independência do Brasil, eu te convido a refletir sobre a sua própria independência.
Independência emocional. Independência dos padrões que te limitam. Independência do medo de buscar ajuda.
A verdadeira independência não é apenas política. É social, é emocional, é individual.
A onça-pintada e a mulher que ousa
Existe um animal que carrega no corpo a pintura da própria história brasileira: a onça-pintada, o maior felino das Américas.
Na cultura indígena, ela é guardiã espiritual — um ser que protege, que impõe respeito. Nas civilizações ancestrais, foi retratada em templos e palácios como símbolo de poder. Hoje, é o símbolo da biodiversidade brasileira.
Mas está ameaçada de extinção. Na Mata Atlântica e na Caatinga, à beira do desaparecimento. Na Amazônia, perde habitat com as queimadas.
Mulheres e onças-pintadas têm algo em comum: força, graça e a capacidade de superar desafios.
Pense nas mulheres na política. Ao longo da história, lutam por espaço, por voz, por representatividade. Assim como a onça que caminha solitária pela mata, muitas trilharam caminhos sozinhas — enfrentando preconceito, descredibilidade, violência. E, ainda assim, se mantiveram de pé.
A onça-pintada não pede permissão para existir. Ela existe com autoridade. As mulheres também não deveriam precisar pedir.
A sub-representação política é uma forma de extinção da voz feminina. Como sempre digo, políticas públicas para mulheres não são favores — são direitos conquistados com muita luta.
A onça ensina: a verdadeira força não é a que domina — é a que protege, a que sustenta o equilíbrio. É disso que a política precisa: de mulheres que chegam não para imitar o poder masculino, mas para transformar o que o poder significa.
Saúde emocional: a coragem de se olhar por dentro
Se a onça-pintada é o símbolo da força exterior, a terapia é o caminho da força interior.
Muita gente vê a psicoterapia como algo para “quando está tudo errado”. Mas a terapia não é apenas tratamento — é prevenção, autoconhecimento, escuta verdadeira. É onde aprendemos a reconhecer padrões, a entender por que repetimos escolhas que nos machucam.
Dica da semana: assistam ao canal da Pamela Magalhães no YouTube (@psipamela). Psicóloga, Pamela tem quase 800 mil inscritos e comanda o podcast “Parece Terapia” e a série “Liveterapia”. Seu trabalho foca em autoestima, amor-próprio e relacionamentos.
Se amar não é egoísmo. É o primeiro passo para amar o outro e para construir uma vida com sentido.
Dica de Viagem: o Pantanal e a onça que se mostra
Se a onça-pintada dominou a nossa reflexão desta semana, que tal conhecê-la de perto? O Pantanal — o maior destino de observação de onça-pintada do mundo — foi colocado ao lado dos grandes safáris da África.
O melhor período é entre junho e outubro, na estação seca. Agosto é o mês de pico — as onças descem os barrancos para beber, caçar e se refrescar.
A região de Porto Jofre, no Pantanal Norte (Mato Grosso), é o epicentro. Os passeios são de barco pelo Rio Cuiabá, com guias especializados. Recomenda-se 4 a 6 dias na região. A partir de Cuiabá, empresas oferecem pacotes completos com hospedagem em pousadas ecológicas.
E se você tiver sorte, conhecerá a história da onça Ousado — resgatada com queimaduras nos incêndios de 2020 e devolvida à natureza. Em julho, foi filmada caçando um jacaré em Porto Jofre. Um símbolo vivo de resistência.
Não é apenas uma viagem. É um mergulho na biodiversidade que é nossa. E talvez, ao ver a onça-pintada caminhando com autoridade pela margem do rio, você entenda melhor por que ela é — como as mulheres — o símbolo mais legítimo de força que resiste.
Prepare o fôlego, o coração e a câmera. Essa viagem transforma.
Até a próxima semana, com mais análises e reflexões sobre o que acontece em nossa Bragança e além!
Com carinho,
Vanessa Nogueira
📩 [email protected]
📱 @VanessaNogueiraBP
*Vanessa Nogueira é Bacharel em Turismo, consultora, docente, assessora regional e sua parceira na construção de uma Bragança melhor!
Para conferir as colunas anteriores da Vanessa Nogueira clique aqui.





