Coluna da Vanessa Nogueira: renovação, representação e uma votação de olho bem aberto

*Por Vanessa Nogueira
Olá, queridos leitores e queridas leitoras do Bragança em Pauta! Que semana foi essa, minha gente! Domingo de urnas, apuração até a noite, o país inteiro digerindo as Eleições 2026 — e, para completar, esta terça-feira (6) a Câmara Municipal entra em cena com uma votação que mexe direto com o bolso de todo bragantino: mais um aumento de imposto na cidade, desta vez o ITBI. Imposto discutido às pressas não pode passar sem o nosso olhar. Peguem o café e vem comigo!
As urnas falaram: os números da nossa Bragança
Aqui em Bragança Paulista, na disputa para presidente, Flávio Bolsonaro recebeu 61.726 votos (62,46%), enquanto Lula somou 26.994 (27,32%). Mas atenção, minha gente: a eleição nacional ainda não acabou — os dois se enfrentam no segundo turno, em 25 de outubro.
Para o governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas venceu já no primeiro turno no estado, com 62,65% dos votos válidos. Aqui em Bragança, ele foi ainda mais forte: 73,88%, contra 25,32% de Fernando Haddad.
E um número que me deixou pensativa: 20,02% de abstenção no nosso município. Uma em cada cinco pessoas não foi votar. Vale a pena se perguntar o porquê — participação e confiança na política andam de mãos dadas.
Deputados estaduais: a lição dos números
Agora, o recado mais importante desta eleição para nós. Nenhum dos seis candidatos com domicílio eleitoral em Bragança conquistou cadeira na Assembleia Legislativa.
Sandro Montanari foi o mais votado entre eles, com 17.052 votos, seguido por José de Lima, com 16.119. O Coronel Américo — nome com o peso do apoio do grupo do prefeito e de oito mandatos na Alesp — recebeu 4.705 no município. No estado inteiro, Sandro chegou a 23.073 e José de Lima, a 19.356.
O que isso me diz? Que existe um eleitorado despertando para nomes novos. Isso é sinal de renovação — e não é pouca coisa! Mas também revela o tamanho do desafio: transformar esse carinho local em força suficiente para eleger. Bragança e região perdem quando ficam sem representação própria na Assembleia. Não podemos aceitar ser periferia política. A nossa região precisa se impor como o grande polo que é, ao lado da capital — com pautas comuns, articulação e voz ativa, e não apenas lembrada na época de campanha.
E o federal? Uma nuance importante
Na Câmara dos Deputados, a história é diferente: Saulo Pedroso, bragantino de nascimento, foi eleito deputado federal por São Paulo, com 95.096 votos. Sua maior votação municipal, porém, foi em Atibaia, com 18.004 votos.
Ou seja: dizer que a região “ficou sem representação” não é bem assim. O desafio, na verdade, é outro — fazer essa representação corresponder às nossas necessidades. Representante eleito é começo, não ponto final. Cabe a nós cobrar presença, trabalho e resultados!
Menos ódio, mais terapia
Agora deixa eu falar do coração, porque esse assunto também é eleitoral.
Divergir faz parte da democracia. Transformar a divergência em ódio, humilhação e desmerecimento do outro é outra coisa completamente diferente. Estamos no olho do furacão de uma política que exige posicionamento imediato, mas não oferece espaço para escuta. Cada um tem o direito de falar o que pensa — mas não tem o dever de escutar o que não deseja. O problema é que, no meio disso, esquecemos de conversar.
Menos ódio, mais terapia. O mundo está doente — e muitos dos doentes se enxergam como intelectuais, como se certeza e agressividade fossem provas de lucidez. Não são. Escutar, rever uma ideia e reconhecer a humanidade de quem pensa diferente também são formas de inteligência.
Câmara: mais um imposto na mesa — e dessa vez, o ITBI
Agora, minha gente, deixa eu falar de um assunto que vai mexer com o bolso de muita gente da nossa cidade — e que merece nossa atenção antes que vire lei.
Hoje, terça-feira (6), a partir das 13h30, os vereadores se reúnem em sessões extraordinárias para votar, em dois turnos, o PLC 24/2026, de autoria do Poder Executivo, que mexe no ITBI — o imposto que pagamos toda vez que compramos um imóvel. E vem a pergunta que não quer calar: por que as pressas? Por que em regime extraordinário, no rastro de uma eleição?
Pelo projeto, a alíquota geral salta de 2% para 3%. Traduzindo, sem eufemismo: 50% de aumento num imposto que incide sobre o maior patrimônio que a maioria das famílias vai comprar na vida. Num momento em que o crédito imobiliário já está caro e a casa própria anda cada vez mais distante do trabalhador, taxar mais a compra do primeiro endereço próprio é, no mínimo, uma escolha que exige explicação honesta — e não um atalho silencioso na Câmara.
O projeto traz, sim, migalhas de alívio: para imóveis no Sistema Financeiro da Habitação de até R$ 780 mil, cobra-se 0,5% sobre o valor financiado e 2% sobre o restante; e há redução para 2% na aquisição de imóvel urbano ou rural após 10 anos entre compras, com requisitos da proposta. Obrigada, mas convenhamos: dar com uma mão e tirar com a outra.
A conta final para quem sonha com a casa própria continua subindo.
E o mais preocupante: a Comissão de Finanças já aprovou o parecer. Resta agora à Câmara — e a nós, população — fazer valer o debate que o regime extraordinário tentou encurtar. Meu convite é simples: acompanhem a sessão, cobrem os vereadores e questionem. Imposto se debate em plenário, com transparência e tempo para a sociedade se manifestar — não se vota no apagar das luzes. Quem paga a conta somos nós, bragantinos que compramos, vendemos ou sonhamos com um imóvel nesta cidade.
Dica cultural da semana
Netflix, atenção: Habeas Corpus! A primeira série jurídica brasileira da plataforma acompanha uma professora de Direito e seus alunos em um caso de possível condenação injusta. Que delícia de trama para analisar a Justiça por diversos olhares — erros, provas, desigualdades. Prepare a pipoca e o espírito reflexivo!
Dica de viagem: Dia das Crianças em Socorro!
Chegando o Dia das Crianças, que tal um passeio em família em Socorro, nossa vizinha charmosa do Circuito das Águas? Lá a diversão é para os pequenos de verdade: o Pesqueiro e Restaurante Nenê Oliani tem pesca esportiva e playground, o Parque dos Sonhos reúne atividades ao ar livre, praia natural e hospedagem com pensão completa, e a Gruta do Anjorende aquele pedalinho delicioso que as crianças adoram. Minha dica de turismóloga: reserve com antecedência — feriado é sinônimo de casa cheia!
Encerrando a conversa
A eleição passou, mas o recado ficou: a nossa região quer e merece representação — e a gente, menos ódio e mais cuidado uns com os outros. E nesta terça, os holofotes voltam para a Câmara: que os vereadores votem olhando no olho de quem os elegeu. Até a próxima semana, com o café quentinho e a janela aberta para o que acontece na nossa Bragança!
Até a próxima, com mais reflexões e boas dicas! Um abraço e uma ótima semana a todos!
Vanessa Nogueira
[email protected]
@VanessaNogueiraBP
*Vanessa Nogueira é Bacharel em Turismo, consultora, docente, assessora regional e sua parceira na construção de uma Bragança melhor!
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As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do Jornal Bragança Em Pauta.





