Diretor do Hospital Bragantino: “Peguei um negócio quebrado”

Ontem, 15, o Bragança Em Pauta publicou reportagem sobre os 10 leitos de UTI, que foram anunciados pela Prefeitura de Bragança Paulista ainda no mês de dezembro e não entraram em operação no Hospital Bragantino, mais de vinte dias depois.

Após a publicação da matéria, o proprietário e diretor do hospital, Roberto Schahin, entrou em contato com a redação para explicar o motivo dos leitos de UTI não terem entrado em operação.

MUDANÇA DE DONO

De acordo com Schahin, ele adquiriu o CNPJ do Hospital Bragantino no dia 22 de dezembro. Portanto, um dia antes da Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Bragança Paulista anunciar que havia locado 10 leitos de UTI no hospital, para aumentar a capacidade de atendimento de pacientes da COVID-19.

“Eu assinei a transferência da empresa no dia 22 de dezembro, é impossível você pegar um negócio quebrado, onde o último gestor não pagou nenhuma conta e reativar ele de um dia pro outro”, disse ao Em Pauta.

PREFEITURA ANUNCIOU 10 LEITOS

Ao ser questionado, se sabia do anúncio da Prefeitura no dia 23, que gerou expectativa da população bragantina, o responsável pelo hospital foi objetivo: “Não existe isso”.

E complementou: “O que ela (Marina de Oliveira, secretária municipal de Saúde) não está entendendo é que foi rompida a antiga gestão e nós começamos um novo serviço. Não adianta querer dar continuidade em algo que foi interrompido. O preço que está sendo oferecido não cobre”, disse.

Nesta mudança de propriedade, as tratativas sobre os 10 leitos continuaram a partir do dia 4 de janeiro, quando efetivamente Roberto Schahin iniciou sua gestão frente ao Hospital Bragantino.

“Eu tenho tratado diretamente com a secretária Marina, tenho todo carinho, respeito e apreço pelo trabalho dela. Mas eu não posso fazer milagre. Eu também estou sensibilizado com a situação da região, do país, do mundo com relação a pandemia, mas eu não vou fazer algo que possa ser prejudicial. Eu não vou abrir um hospital sem o mínimo de condições, há uma semana, a gente não tinha o mínimo de condição, não tinha nem gases medicinais (assim como ocorreu em Manaus), não tinha roupa limpa, os funcionários não tinham recebido”, relatou.

“Eu entendo a ansiedade dela, do prefeito. A Prefeitura tentou me pressionar, mas eu não sou irresponsável e eu não vou abrir o serviço sem o mínimo de condições”, complementou.

Ainda de acordo com o proprietário e diretor do hospital, nunca foi data uma data de quando estes 10 leitos estariam disponíveis. “É impossível você pegar um negócio quebrado e de ponta cabeça e resolver em duas semanas. Tem questões complexas a se resolver, para se atender direito. Eu assumi um rojão, faz duas semanas que fui pra Bragança”, afirmou.

DÍVIDAS E MAIS DÍVIDAS

É de conhecimento público em Bragança, o problema do Hospital Bragantino arcar com seus compromissos com funcionários, ex-funcionários e fornecedores.

Inclusive, a questão foi tratada pelo prefeito Jesus Chedid em entrevista à Tv Vanguarda. “Não arrumou equipe porque não está pagando em dia as contas”, afirmou o prefeito na última sexta-feira.

E o prefeito Jesus está certo. “Todos os médicos que trabalharam no hospital, no período que a Prefeitura contratou os leitos de UTI (em 2020), ninguém recebeu nada. Zero”, afirmou o novo gestor.

“O antigo gestor não pagou ninguém. Não sei se não soube fazer as contas ou foi má-fé, não posso entrar nestes detalhes”, disse.

Segundo ele, além dos médicos, os demais profissionais como técnicos de enfermagem e enfermeiros também não receberam no período do contrato. Ao assumir o hospital no dia 22 de dezembro, havia 3 meses de salários atrasados (ou parte deles), além de 13° e férias.

De acordo com Schahin, ontem os vencimentos referentes a dezembro foram liquidados com os colaboradores e, agora, resta em aberto o 13°.

“Nunca se pagou uma conta de luz daquele hospital, lavanderia não tinham pago, gases medicinais não tinham pago e iam cortar”, relatou.

UTI VAI REABRIR?

De acordo com o novo gestor, sim. E ainda há interesse em prestar o serviço de locação de leitos à Prefeitura.

Nesta semana, a Secretaria de Saúde anunciou 4 leitos de UTI na Santa Casa. E conforme apurado pelo Em Pauta, mais 6 estariam praticamente fechados com o HUSF.

Mesmo assim, Schahin disse que vai reativar a UTI no Hospital Bragantino: “Tenho uma reunião na segunda-feira e vou tentar reativar o serviço de UTI entre quarta e quinta-feira da semana que vem”, disse.

“A grande dificuldade de eu fazer este serviço voltar a funcionar é eu reconquistar a confiança dos médicos que não receberam. Todos os serviços prediais estão prontos. Se o time de médico for lá agora, vai funcionar. O hospital terá condições de atender qualquer paciente privado ou público”, disse.

Até o momento, a Região Bragantina conta com 25 leitos de UTI do SUS, exclusivos para tratamento da COVID-19, que estão 100% lotados. Vale ressaltar, que estes leitos são regionalizados, portanto, atendem 11 municípios. 10 estão em funcionamento na Santa Casa, 10 no HUSF e 5 na Santa Casa de Socorro.

NOTA DA REDAÇÃO

Após a publicação da matéria sobre os 10 leitos de UTI que não entraram em funcionamento do Hospital Bragantino, a redação do Em Pauta recebeu uma série de reclamações de ex-funcionários, que trabalharam no local e não receberam.

Informamos que sobre esta questão, será publicada uma outra matéria na semana que vem, também com a participação do novo proprietário do hospital.

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