Com UTIs lotadas, Prefeitura promoverá Festival de Inverno com público

“A pandemia ainda não acabou. As UTIs estão 100% ocupadas”, é o que anuncia o carro de som, contratado diariamente pela Prefeitura de Bragança Paulista, para percorrer as mais diversas ruas da cidade.

Apesar disso, a Prefeitura de Bragança Paulista anunciou na última sexta-feira, 26, que realizará a 20ªedição do Festival de Inverno de Bragança Paulista de 3 a 31 de julho, de forma híbrida, ou seja, com a presença do público e transmissões on-line.

NA CONTRAMÃO DE OUTROS FESTIVAIS

O anúncio vai na contramão de outros festivais de inverno, inclusive mais tradicionais como, por exemplo, o Festival de Campos de Jordão, que acontecerá de forma totalmente on-line devido o avanço da COVID-19.

Na região, o município de Atibaia optou por postergar a realização do festival para final de julho/agosto para observar se com o avanço da vacinação os números caem e decidir se o evento será feito on-line ou drive in. Amparo, terá atrações on-line.

Em nota, a Secretaria de Comunicação divulgou que a programação artística do festival contará com oficinas gastronômicas, teatros, intervenções artísticas, concertos, shows musicais, recital de piano, workshop de literatura, entre outras atividades.

EVENTO TESTE

As atrações do festival, que a Prefeitura chamou de “evento teste” ocorrerão no Centro Cultural Teatro Carlos Gomes, que de acordo com as regras do Plano São Paulo, poderá receber o público, com acesso controlado, com distanciamento, uso de máscaras e público sentado.

Segundo informações do Governo do Estado, o Plano São Paulo permite a realização de atividades culturais até as 21h. As medidas valem até 15 de julho. Este horário, aliás, é o mesmo válido para restaurantes e comércios, por exemplo em todo o Estado.

O prefeito Jesus Chedid, no entanto, desde o início da Fase de Transição, adotou algumas medidas próprias mais flexíveis em Bragança Paulista e os comércios e restaurantes funcionam até as 22h. A Prefeitura ainda não divulgou se seguirá o horário até as 21h ou até as 22h.

Apesar de chamar de evento teste, a Prefeitura não divulgou se testará o público ou se exigirá cartão de vacinação. Informou apenas que fará um cadastro antecipado do público.

Em outras oportunidades, a Prefeitura já se mostrou ineficaz, na questão de cumprir protocolos sanitários. Neste mês de junho, ao menos dois eventos com aglomeração foram flagrados pelo Em Pauta. A inauguração da reforma do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), no dia 4 e a inauguração de uma rua no bairro do Taboão, no último dia 18, onde haviam pessoas em pé e o deputado Edmir Chedid abraçou e cumprimentou as pessoas. Inaugurações das quais, o prefeito Jesus Chedid, de 82 anos que está imunizado não tem participado.

CADASTRO DO PÚBLICO

Na nota, a Secretária de Cultura e Turismo Vanessa Nogueira afirmou que a primeira semana será um termômetro para o restante da programação. “Iremos liberar 40% da ocupação do teatro e os interessados em participar presencialmente deverão preencher um cadastro on-line”, disse.

O cadastro será divulgado na segunda-feira, 28, nas redes sociais da Secretaria de Cultura e Turismo. O formulário de inscrição ficará disponível até quarta-feira, 30, às 18h, e será limitado um ingresso por CPF.

A troca dos bilhetes acontecerá na quinta e sexta-feira, das 9h às 17h, na Secretaria de Cultura e Turismo, afirmou Vanessa Nogueira.

Apesar de não haver cobrança de ingresso, o público é convidado a contribuir com o “ingresso solidário”, que consiste na doação de um 1kg de ração, agasalho ou alimento não-perecível.

Não bastasse a presença do público, a Prefeitura permitirá também o consumo de alimentos no local, o que obviamente resultará na retirada da máscara do público presente. Isso porque o evento “Canja com Canja”, criado em 2008, será mantido. O dinheiro arrecadado com venda da canja será destinado ao Fundo Social de Solidariedade. A atividade ocorrerá às quintas-feiras.

A Prefeitura informou ainda que permanência do público bem como o consumo dos produtos, ocorrerá de acordo com as medidas impostas pelo Plano São Paulo.

É HORA DE RETOMAR OS EVENTOS?

Com o avanço da vacinação da COVID-19 todos têm expectativa, de que aos poucos as atividades possam ser retomadas.

Com um público elegível para tomar a vacina de cerca de 125 mil pessoas, Bragança Paulista tem, no entanto, menos de 30 mil pessoas, completamente imunizadas com as duas doses, ou seja, menos de 20% da população que poderá tomar a vacina.

Leitos de enfermaria e de UTIs SUS continuam lotados e no último balanço completo divulgado pela Secretaria de Saúde, havia fila de espera por atendimento.

Na noite da última sexta-feira, 25, o Em Pauta perguntou aos seus leitores no Instagram, qual a opinião deles sobre a presença de público no Festival de Inverno. E 77%, de um universo de mais de 5 mil pessoas, afirmaram serem contrárias à medida.

Embora a enquete não tenha um plano amostral, não utilize método científico para sua realização e dependa da participação espontânea do interessado, o resultado trás uma tendência, nos mais dos mais de 5 mil leitores do jornal que visualizaram a publicação.

Eventos esportivos, como a Copa América, onde sequer há a presença de público, mostram, que o risco de aumento da contaminação é real e a atenção deve ser redobrada, ainda mais quando não se há vagas em hospitais.

Até agora, pelo menos 166 pessoas se contaminaram na Copa América, sendo 48 jogadores e membros das delegações, 115 prestadores de serviços contratados para o evento e 3 funcionários da Conmebol.

SECRETÁRIA MUDOU DE OPINIÃO?

Apesar da realização do Festival, a Prefeitura de Bragança Paulista não divulgou nenhuma opinião da Secretaria de Saúde, Marina de Fátima Oliveira, sobre a realização das apresentações, muito menos dados do Comitê de Combate à COVID-19.

Vale lembrar que no início de junho, no entanto, Marina de Oliveira, pediu para que a população não realizasse festas, nem com 10 pessoas por causa da falta de vagas de internação no município. Desde o seu pronunciamento, aliás, cerca de 30 pessoas já foram transferidas para outras cidades por faltas de vagas em Bragança Paulista.

Pelo menos um jovem, de 28 anos, que teve que ser transferido, morreu. Bragança Paulista, tem hoje 459 mortes de COVID-19, desde o início da pandemia. Destas, 358 este ano e 101 no ano passado, quando o festival aconteceu on-line.

Neste período de pandemia a própria Secretaria de Cultura e Turismo sentiu na pele a dor da perda. O chefe da Divisão de Turismo, Rivelino de Oliveira, foi uma das pessoas que ficou em leito de enfermaria aguardando vaga em UTI, chegou a ser intubado, mas não resistiu e faleceu vítima da COVID-19.

Foto: Arquivo

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2 thoughts on “Com UTIs lotadas, Prefeitura promoverá Festival de Inverno com público

  • 28/06/2021 em 11:31
    Permalink

    Inacreditável tamanha irresponsabilidade!!
    Com manutenção da epidemia em descontrole, virus circulando, notificação diária de casos sinificativa,vacinação em índices extremamente baixos com as duas doses, leitos de enfermaria e UTI com 100% de ocupação e pessoas sendo transferidas para recursos de saúde de outras regiões do estado, realizar o Festival de Inverno com público é afrontar todas as recomendações sanitárias internacionais. Se todos estes argumentos não sensibilizam o governo municipal, que tem falhado em muito, desde o início da pandemia, era de se esperar que pelo menos as vidas perdidas, pudessem trazer a responsabilidade na ordem do dia. Muitas destas mortes poderiam ter sido evitadas se medidas efetivas tivessem sido implementadas, com menor custo e menos traumáticos que os adotados até este momento.
    As autoridades do município, a exemplo do que assistimos no governo federal, não apregoam as medidas corretas a se seguir, restando-nos simplesmente esperar que cada cidadão faça a sua parte, com o seu conhecimento e suas possibilidades.
    Num cenário que deixou à nu a colossal desigualdade social brasileira, com aumento do desemprego e da fome, ainda é frequente responsabilizar esta sofrida parcela da população, pela manutenção da pandemia.
    Enquanto isto, o mesmo governo que determina que não pode promover aglomeração dá o exemplo contrário, em inaugurações de obras de manutenção e melhoria de equipamentos já inaugurados e reinaugurados a cada pintura ou parede levantanda, maquiando as reais necessidades e para coroar, anunciam o Festival de Inverno com público presencial!!
    Teremos de acionar os serviços de fiscalização para enquadra-los nas leis emanadas pelos políticos de plantão?
    Triste e tragica realidade!

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